França apanhada pelo terrorismo dos seus próprios aliados da NATO

A França acaba de ser o alvo de novo ataque terrorista, a três dias da primeira volta(turno-br) da eleição presidencial. Para Thierry Meyssan, Paris deve parar de contar idiotices e tomar em linha de conta os acontecimentos: o terrorismo internacional —na qual participa— é comanditado e instrumentalizado precisamente contra si por alguns dos seus aliados no seio da NATO.

 

| DAMASCO (SÍRIA) | 22 DE ABRIL DE 2017

No início de 2017, fomos informados que jiadistas preparavam ações para forçar a França e a Alemanha a adiar as suas eleições. Mas não era claro:

- se se tratava de adiar a eleição presidencial francesa (Abril-Maio) ou as eleições legislativas francesas (Junho) ou ambas;
- se a França era em si mesma um alvo, ou se as ações desencadeadas em França deviam ser uma preparação para futuras ações contra a Alemanha.

Entre os candidatos à eleição presidencial, apenas François Fillon e Marine Le Pen denunciam o apoio dado aos Irmãos Muçulmanos. O primeiro fez mesmo disso um dos temas recorrentes da sua campanha.

Discurso de Chassieu (Lion), a 22 de Novembro de 2016

 

Nós tinhamos alertado os nossos leitores que as campanhas de imprensa e processos na Justiça lançados contra Donald Trump, nos Estados Unidos, e contra François Fillon em França, eram comanditados pelos mesmos grupos. Escrevíamos que segundo os Srs. Trump & Fillon, «não será possível restaurar a paz e a prosperidade sem acabar primeiro com a instrumentalização do terrorismo islâmico, sem libertar o mundo muçulmano das garras dos jiadistas, e sem deixar de atacar a matriz do terrorismo: os Irmãos Muçulmanos» [1]

À época, os Franceses, acreditando erradamente que os Irmãos Muçulmanos formam uma tendência no seio da religião muçulmana, não reagiram. Mais tarde, eu publiquei um livro, Sob os nossos olhos. Do 11 de Setembro a Donald Trump , cuja segunda parte expõe em detalhe, pela primeira vez, o que é esta organização secreta, criada e controlada pelo MI6, os Serviço Secretos britânicos. Esta é a Irmandade que desde a Segunda Guerra Mundial tentou transformar o Islão sunita num instrumento político. É a partir dela que saíram quase todos os líderes dos grupos jiadistas, desde Osama bin Laden até Abu Bakr al-Baghdadi.

A 26 de Fevereiro, François Fillon publicava, sem explicação, uma comunicado que foi largamente criticado:
«Estamos numa situação inédita : a dois meses da eleição presidencial, vivemos numa situação de quase guerra civil que vem perturbar o curso normal desta campanha (…) Eu lembro que estamos em estado de emergência e no entanto, o Governo deixa andar (…) Hoje em dia, tanto como antigo Primeiro-ministro, como representante eleito da Nação, eu acuso solenemente o Primeiro-ministro e o Governo por não assegurar as condições para um exercício sereno da democracia. Assumem uma pesadíssima responsabilidade ao deixar desenvolver-se no País um clima de quase guerra civil que apenas pode aproveitar aos extremistas (…) Quaisquer que sejam os candidatos, eles devem ter o direito de se exprimir e o Governo deve tomar medidas para que os vândalos e os inimigos da democracia cessem de perturbar esta campanha presidencial» [2].

A 17 de Abril, a Polícia Nacional informava os quatro principais candidatos sobre ameaças à sua segurança e reforçava a sua proteção.

A 18 de Abril, o Sr. (29) e Clement B. (23) foram detidos quando preparavam um atentado durante um comício de François Fillon.

A 20 de Abril, um polícia (policial-br) foi morto e dois outros gravemente feridos durante um atentado nos Champs Elysees.

François Fillon e Le Pen cancelaram as suas previstas deslocações para 21 de Abril. Seguindo a onda, e muito embora não houvesse nenhuma real ameaça a seu respeito, Emmanuel Macron fez o mesmo.

A responsabilidade do próximo presidente da República Francesa

A segurança dos Franceses estará no centro do próximo quinquénio. Esta questão é tanto mais difícil quanto os recentes atentados terroristas cometidos em solo francês implicaram três dos nossos aliados da NATO: o Estado Profundo dos EUA, o Reino Unido e a Turquia.

Eu tratei de forma profusa a questão dos atentados de Paris (a 13 de Novembro de 2015) e de Bruxelas (a 22 de Março de 2016) [3]. No meu último livro indiquei que se estes atentados foram reivindicados pelo Presidente Recep Tayyip Erdoğan e sua imprensa, eles foram, no entanto, realizados por «comandos distintos, com excepção de um operador comum, Mohammed Abrini do MI6» (p. 231) [4].

Durante anos, as sucessivas presidências de Nicolas Sarkozy e de Alain Juppé, e a de François Hollande e Laurent Fabius esconderam as suas actividades criminosas aos Franceses, e a consequência do que eles semearam: o terrorismo intra muros.

É absurdo acreditar que a Alcaida e o Daesh (E.I.) possam dispor de tanto dinheiro e de tantas armas sem o apoio dos grandes Estados. É absurdo crer que a França tenha podido participar no processo de remodelagem do «Médio-Oriente Alargado» sem sofrer por isso contra-golpes. É absurdo acreditar que será simples lutar contra o terrorismo internacional quando ele é comanditado pelos nossos próprios aliados no seio da NATO.

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