A crise económica e social em Portugal: O Discurso Político hipócrita do primeiro-ministro Pedro Passos

Por Miguel Urbano Rodrigues

Global Research, 09 de junho de 2014

Portugal é bombardeado diariamente com o discurso do primeiro-ministro. É um discurso inconfundível, diferente de qualquer discurso conhecido. Não consigo encontrar as palavras adequadas para descrevê-lo.

Hipócrita? Irracional? Estes são insuficientes para expressar o estilo, propósito e conteúdo de suas arengas pomposos. É um discurso neo-fascista louco, que transforma a realidade em sua cabeça e ofende a inteligência das pessoas.

Nos últimos dias, incansavelmente, o primeiro-ministro Pedro Passos tem viajado o país para glorificar a sua administração. O tema central dessas arengas é uma justificação de que o seu governo tem vindo a fazer.

Ele chama a atenção para a gratidão do povo. Ele não tem dúvidas sobre a aprovação do Português para a sua política (a palavra que ele usa e abusa, a ponto de perversão), que impõe “sacrifícios” sobre eles. Ele sabe que ele exigia muito deles, mas o que conforta é a certeza de que eles aceitam as leis e decretos severos projetados para satisfazer os “interesses maiores da nação.”

Ele se sente orgulhoso das medidas sábias tomadas por sua equipe ministerial que transmitem um conceito de solidariedade sem precedentes, mas humanista, mal interpretados por pessoas que se recusam a entender que a redução de salários será no fim de provocar uma espécie indireta de solidariedade.

Ele pensa de si mesmo agora como um reformador revolucionário e que a história julgará sua estratégia como um que trouxe justiça.

O que machuca é a total falta de entendimento entre os partidos de oposição, aqueles incapazes de perceber que o seu governo é garantir o Estado social, o combate ao desemprego, exigindo muito do poderoso, proteger os mais pobres – esta oposição é tão cego que eles não conseguem ver o crescimento da economia ea admiração das principais competências da Comunidade Europeia e do FMI para os resultados de sua diligência no cumprimento das exigências do “memorando” assinado com a troika.

O acórdão do Tribunal Constitucional, que determinou que três medidas aplicadas no orçamento do Estado eram inconstitucionais, despertou a indignação do primeiro-ministro, seu governo e sua maioria parlamentar.

Passos e seu povo não se limitaram este momento para expressar desacordo com as decisões daquele órgão soberano. Eles desencadeou uma campanha sem precedentes contra o tribunal, com um tom de insulto.

O Primeiro-Ministro deu o tom ao questionar a competência dos juízes constitucionais, sugerindo mudanças básicas no processo de nomeação.

A carta arrogante com o presidente do Tribunal Constitucional exigindo uma clarificação do julgamento é um documento vergonhosa que reflete com precisão o nível de degradação política a que a escória abrigados no poder afundou.

As observações proferidas no Parlamento pelos representantes do Partido Social Democrata (PSD) e do CDS, na tentativa de justificar a apresentação desta carta desafiadora iluminar a incompatibilidade do zoológico de Passos & Portas * com os princípios universais do direito constitucional.

O gesto deve ter levantado repúdio generalizado pela mídia. Mas isso não aconteceu.

Canais de TV e jornais com autoridade promoveu debates e mesas-redondas em que muitos comentaristas – porta-vozes para a ideologia da classe dominante – aproveitou a oportunidade para criticar o Tribunal Constitucional.

Alguns nem sequer hesitou em expressar o entendimento para o discurso insano do primeiro-ministro, que é o defensor dos interesses do grande capital, aliado do imperialismo e inimigo dos trabalhadores.

A resposta das vítimas da política fiscal brutal, dos desempregados, dos trabalhadores aposentados cuja pensão foi roubado, será dada em fábricas, escolas, nas indústrias de serviços e em todos os locais de trabalho.

O povo, como sujeito da história, vai intensificar a luta contra um governo cuja política, em um contexto diferente, lembra-nos cada vez mais de Salazar. Cabe ao confederação sindical CGTP e os comunistas para dar a liderança a essa luta patriótica.

* President Paulo Portas

 

Contacte-nos: cultodoconhecimento@gmail.com

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