A CIA coordena nazis e jihadistas

O mundo muda. Ontem, tínhamos uma direita capitalista e uma esquerda socialista. Hoje em dia o mundo é dominado pelos Estados Unidos, e a primeira questão que se coloca é ou de os servir ou de lhes resistir. Como durante a Segunda Guerra mundial encontram-se todas as ideologias em cada campo. De momento, Washington coordena a aliança na Europa entre nazis e jihadistas, com a bênção dos Russos anti- Putin.

 

A confrontação entre os golpistas de Kiev, apoiados pela Otan e os federalistas ucranianos, apoiados pela Rússia, chegou a um ponto sem retorno. A 2 de maio o presidente Olexander Turchinov e o oligarca israelita Ihor Kolomoïsky organizaram um massacre na Sede dos sindicatos de Odessa, que a imprensa o ocidental a princípio minimizou, e depois silenciou quando os testemunhos e as provas se acumularam. Após estes horrores, não é possível que continue mais a vivência conjunta de ambas as populações.

São possíveis três cenários: ou os Estados Unidos vão fazer da Ucrânia uma nova Jugoslávia e lá provocar uma guerra, na esperança de aí envolver a Rússia e a União europeia e de os atolar nisto; ou vão multiplicar os teatros de confronto ao redor da Rússia, começando pela Geórgia; ou, ainda, vão mover combatentes irregulares que desestabilizem a própria Rússia, na Crimeia ou no Daguestão.

Qualquer que seja a opção escolhida, Washington está desde já a montar um exército de mercenários. O Conselho de Defesa de Kiev enviou emissários à Europa Ocidental, para recrutar militantes de extrema-direita para vir lutar contra os federalistas (qualificados como «pró-russos»). Assim, foi já criada uma célula Pravy Sektor-França, cujos membros serão proximamente integrados na Guarda Nacional ucraniana. Para além disso, o Conselho de Defesa de Kiev pretende «aumentar o tamanho» acrescentando a estes neo-nazis, do ocidente europeu, jihadistas com uma real experiência militar.

Na realidade, se nos abstrairmos bem do brique-à-braque simbólico de uns e de outros, nazis e jihadistas de hoje em dia têm em comum, ao mesmo tempo, o culto da violência e o sonho sionista de dominação mundial. Eles são, pois, compatíveis com todas as outras organizações apoiadas por Washington, inclusive com a Frente de esquerda russa de Serguei Oudaltsov e com o seu amigo, o líder anti-Putin, Alexeï Navalny. Há já, aliás, numerosos contatos entre eles.

Mais do que aplicar a divisão direita/esquerda da guerra Fria, hoje a pertinente linha única de divisão, é imperialismo / resistência. Na Ucrânia, o pessoal de Kiev cita o combate da Wehrmacht contra os judeus, os comunistas e os russos, enquanto o de Donetsk celebra a vitória da pátria, contra o fascismo, durante a «Grande Guerra patriótica» (Segunda Guerra Mundial). As pessoas de Kiev definem a sua identidade pela sua História, real ou mitificada, enquanto as de Donetsk se afirmam como pessoas originárias de comunidades históricas diferentes, mas unidas pela sua luta contra a opressão.

A prova que esta linha de divisão é a única pertinente é o oligarca judeu Ihor Kolomoïsky, que financia os que cantam «Morte aos judeus!». É um mafioso que amassou uma das maiores fortunas da Europa, capturando de pistola em punho grandes companhias de metalurgia, de finanças e de energia. Ele é apoiado pelos Estados Unidos, e colocou diversas personalidades dos EUA – um dos quais o filho do vice-presidente Biden—no conselho de administração da sua holding de gaz. Mas não só, ele não tem nenhum problema em financiar grupos nazis, pelo contrário ele exultava quando estes assassinarem, às suas ordens, judeus anti-sionistas em Odessa.

A colaboração entre nazis e jihadistas não é nova. Ela tem a sua origem nas três divisões muçulmanas das Waffen SS. A 13a divisão «Handschar» era formada por bósnios, a 21o «Skanderbeg» de Kosovares e a 23a «Kama» por croatas. Eram, pois, todos muçulmanos praticando um Islão (Islã-Br) influenciado pela Turquia. Para falar a verdade, a maioria destes combatentes desertou durante a guerra contra o Exército Vermelho.

Mais recentemente, nazis e takfiristas combateram novamente, em conjunto, contra os russos, durante a criação do emirado islâmico de Itchquéria (Segunda Guerra da chechénia, em 1999 -2000).

A 8 de maio de 2007, em Ternopol (Oeste da Ucrânia), nazis baltas, polacos (poloneses-Br), ucranianos e russos e jihadistas, ucranianos e russos, criaram uma pretensa frente anti-imperialista com o apoio da CIA. Esta organização é presidida por Dmytro Yarosh, que se tornou após o golpe de estado de Kiev, em fevereiro de 2014, secretário-adjunto do Conselho de Segurança nacional da Ucrânia, depois candidato do Pravy Sektor («Sector de Direita»-ndT) à eleição presidencial de 25 de maio.

Em julho, 2013, o emir do Cáucaso e responsável local da Al-Qaida, Dokou Oumarov, apelou aos membros da «frente anti-imperialista» para irem lutar na Síria. Porém, não há nenhuma prova clara sobre a participação de nazis nas actuais operações de desestabilização do Levante.

Por fim algumas dezenas de jihadistas tártaros da Crimeia vieram bater-se na Síria, depois foram transportados pelo MIT (serviço secreto-ndT) turco para Kiev para participar nos eventos de EuroMaidan, e no golpe de Estado de 22 de fevereiro ao lado de Dmytro Yarosh.

As medidas tomadas na Europa, a pedido do secretário dos EUA para Segurança da Pátria, Jeh Johnson, afim de impedir o retorno dos jihadistas a casa, mostra que a CIA tenciona usá-los numa nova frente. A resignação forçada do príncipe Bandar bin Sultan, a 15 de abril, a pedido do Secretário de Estado John Kerry, depois a do seu irmão, o príncipe Salman bin Sultan, no dia 14 de maio, por pressão do Secretário da Defesa Chuck Hagel, atestam a vontade dos Estados Unidos em reformular o dispositivo jihadista.

Saberão os resistentes europeus e árabes aliar-se também?

Thierry Meyssan

Fonte: Voltaire

Link da noticia original: http://www.voltairenet.org/article183852.html

 

 

 

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