Excertos do capitulo 5 do livro “O Instituto Tavistock” de Daniel Estulin (págs. 162-167)

A Guerra Cultural

Consideremos agora as pessoas que criam o conteúdo ideológico da lavagem ao cérebro. Falamos dos especialistas em guerra cultural, que criam os sistemas de valores, sendo estes, por sua vez, impostos à sociedade pelos mecanismos de lavagem ao cérebro, como a televisão. A maior parte está na faixa etária dos, aproximadamente, 35 a 45 anos. Por outras palavras, os próprios programadores têm sido sujeitos a uma lavagem ao cérebro, por 40 anos de televisão! Portanto, não imagine um cenário em que anciões de 90 anos se sentam em salas escuras, de mãos dadas, a olhar para uma bola de cristal e a planear o futuro do mundo. Não é assim que a coisa funciona. É mais um grupo de idiotas infantis com uns ténis calçados e com cortes de cabelo patéticos, sentados numa sala com ar condicionado, e donde se vê a Grande Maçã pela janela, a trocarem ideias para os grandes espectáculos do ano seguinte.

Quando lhes surgem ideias, passam-nas para o outro grupo de idiotas infantis chamados argumentistas, que as põem em diálogos básicos, cheios de substantivos e verbos simples. Esse produto será então posto nas mãos de produtores e realizadores, para a sua produção propriamente dita. Isto é feito por todo o mundo, dos Estados Unidos ao Canadá e à Europa Ocidental. Até culturas orientais com milhares de anos, como a japonesa, têm as suas próprias versões de todas as grandes e pequenas comédias de êxito nos EUA, adaptadas aos seus próprios mercados.

Uma vez planeados os espectáculos e escritos os argumentos, as verdadeiras mensagens destinadas a lavar o nosso cérebro são inseridas a posteriori. Os tolos argumentistas e ideólogos contam com “especialistas” de Tavistock e da Escola de Frankfurt, que trabalham como “consultores” da maioria dos programas. Por exemplo, “não podem mencionar-se os homossexuais sem primeiro submeter o assunto à “Gay Rights Task Force”, que se assegura de que a questão é tratada com “sensibilidade”. De modo semelhante, todos os programas infantis, incluindo a programação da Disney, empregam pedopsiquiatras que ajudam a moldar os conteúdos.” Além disso, toda a idiotice ambientalista passou a ser incluída em argumentos de programas de televisão e de filmes, e também nos noticiários.

Pense-se, por exemplo, no thriller de ficção científica produzido por Hollywood em 2008, The Happening, com Mark Wahlberg como protagonista. O filme “segue um homem, a mulher, o seu melhor amigo e a filha deste, enquanto tentam escapar a um inexplicável desastre natural. O enredo desenrola-se em volta duma neurotoxina misteriosa, que provoca o suicídio a quem lhe fique exposto.” A mensagem é fácil de discernir. As pessoas são inimigas da natureza, e o Planeta Terra está a revoltar-se contra nós, matando implacavelmente o inimigo.

Os que protestam e se opõem a tal idiotice são marginalizados e gozados pelos colegas, amigos e familiares. Se não foi completamente conquistado, tornou-se tolerante ou, no mínimo, ficou calado, como voz solitária da razão. Não é assim?

“A comunidade social de “criadores” de Nova Iorque e Hollywood, funciona no que os especialistas em lavagem ao cérebro chamam um grupo carente de líder: não tem consciência das verdadeiras forças exteriores que a controlam, não tendo qualquer consciência da sua própria lavagem ao cérebro, após 40 anos a ver televisão. São pessoas que se crêem livres para criarem, mas só lhes é permitido produzir banalidades. Em última análise, esses criadores das nossas programações televisivas viram-se para a sua própria experiencia e valores de cérebros lavados, para terem “inspiração criadora”. Quando foi perguntado a um produtor como é que ele determinava o que aparecia nos seus programas, ele respondeu: “Penso em mim próprio como público. Se me agrada, penso sempre que vai agradar ao público.” É mesmo assim. Quantas pessoas que vêem televisão se apercebem de que o que estão a ver, na caixinha mágica, reflecte a moral e a consciência de quem o idealizou?

Vamos dar uma olhadela aos dois programas de televisão mais “populares” e que têm sido alvo de maior atenção, na última década: Operação Triunfo e Big Brother. Porque são tão populares? Pode pensar-se que é devido ao próprio conteúdo; por ser uma ideia nova e surpreendente. Mas a razão também pode ser a sua aceitabilidade social, ou mesmo o simples sensacionalismo. Apesar de publicitarem generosidade, igualdade e um divertimento constatado pelas taxas de audiência, nenhum destes programas contém argumentos novos ou apresenta razões prementes para que o público em estúdio, os participantes no espectáculo e todos os simplórios a assistirem em casa, fiquem eternamente dependentes deles.

Seja qual for o critério, a Operação Triunfo é um empreendimento que impressiona; um protótipo cultural para os ingénuos e doentes. Os seus participantes têm melhor aspecto, são mais engenhosos, mais calculistas, mais diabólicos, e muito mais astutos a manipular multidões do que os seus predecessores. Criam um momento televisivo de “celebridade” triunfante e bizarro, distorcido de forma pueril.

Na realidade, a televisão dá um estatuto à “celebridade” que poucos homens realmente atingem. E o que é uma “celebridade” se não o epítome de pseudo-acontecimento humano, fabricado de propósito para satisfazer as nossas exageradas expectativas de grandeza humana? Trata-se da mais completa história de êxito do século XXI, com a sua procura da ilusão. Foi criado um novo molde, para que modelos humanos comercializáveis – “heróis” modernos – sejam produzidos em massa, para satisfazer o mercado, e sem inconvenientes. As qualidades que costumam actualmente transformar um homem ou mulher numa marca “anunciada a nível nacional” constituem de facto uma nova categoria de vazio humano.

O mundo que temos estado a espreitar está, de certo modo, para além do bem e do mal. É um mundo de sentimentalismo, de disfarces, de pessoas que estão dispostas a verter uma lágrima imediatamente antes de um intervalo para publicidade mas, quando o programa chega ao fim, têm a mente repleta de visões exaltantes da vida em família.

É um mundo posterior ao Baby Boom, posterior à alteração de paradigma e posterior à realidade. O que temos é um conflito entre a geração dos pais e a geração mais nova, a dos jovens adultos. Não se trata dum conflito de preconceitos; é um conflito de realidades. “A fazer a ponte entre as estruturas de valores das duas gerações estava o televisor da sala. E o que vos dizia: entrai em compromissos, aprendei a falar uns com os outros. Proporcionava-vos alívio, enquanto o vosso mundo se desmoronava e alterava.”

Só posso concluir que o êxito da Operação Triunfo em captar a atenção tem de ser um reflexo da índole deprimente da nossa época – um momento histórico de falta de generosidade de pensamentos sem precedentes, quando uma disposição e busca do conhecimento podem ser poderosamente contrariadas por um argumento de que nada se pode fazer pelos beneficiários (público de televisão), devido aos limites cognitivos congénitos expressos por baixos níveis de QI.

Depois, há o Big Brother. Há quem defenda que cada espectáculo é uma pequena moralidade, com a audiência a vaiar os maus da fita e a apoiar os bons participantes. O programa insiste nisso. O tom, um regresso ao modelo do passado, testado pelo tempo, é quase sempre conspiratório. Os palermas são mais convencidos da sua própria perfeição, mais veementes e mais paranóicos. Em vez de dizerem coisas indefensáveis e acreditarem que os espectadores gostarão deles seja como for, explicam as suas dificuldades e defendem o seu caso, o que é uma coisa nada razoável de se fazer, perante um público abjectamente estúpido. Acho perturbador ver pessoas a permitir que as usem como lenços de papel, mas afinal toda a gente da nossa cultura rasca se apropria de conceitos profundos para fins superficiais. O triunfalismo inicial dá lugar a um derrotismo rancoroso – eis a Espanha actual, vista pelos binóculos prismáticos duma moralidade americana intrusivamente globalizada, “terapêutica” e repleta de Coca-Cola.

Atacar o entretenimento duma cultura terapêutica é uma forma de atacar os seus valores: publicidade a sobrepor-se a realização, revelação a sobrepor-se a contenção, honestidade a sobrepor-se a decência, vitimização a sobrepor-se a responsabilidade pessoal, confrontação a sobrepor-se a cortesia, psicologia a sobrepor-se a moralidade. Segundo uma fonte bem informada da TVE, quanto mais intelectualizados forem os programas, mais os espectadores bocejam e desistem. Porém, isso já nós sabíamos. E porque havemos de ficar surpreendidos? Nesta sociedade, a vergonha traz fama e o pecado é um instrumento de mobilidade ascendente. E a mobilidade ascendente é o que está a dar.

No dicionário inglês de Webster, fama é definida como “frenesim de renome”. As pessoas enfrenesiadas e maldosas que estão intoxicadas pela importância sintética… são cúmplices desta farsa. Há quarenta anos, no seu livro The Image, a Guide To Pseudo-Events In America, Daniel Boorstin argumentou que a revolução explicita da televisão separar a fama da grandeza, que geralmente exigia um período de gestação em que eram realizados grandes feitos. Esta separação apressou a decadência da fama para mera notoriedade, que é muito elástica e muito perecível.

A doutrina do triunfalismo da “celebridade” é inerentemente inclusiva; procede do convencimento de que já toda a gente gosta dos ricos e dos pseudo-famosos. A maior parte das “pseudo-celebridades” parece ter compreendido que a sua vida é uma permanente prestidigitação. Há uma precariedade incurável na sua posição. Tentam assim viver da dignidade dum conceito anacrónico, cultivando um monarquismo da época democrática – a celebridade.

Esse convencimento é o que torna o circo da “celebridade” tão arrepiante. Os pseudo-famosos sabem que devem as suas carreiras à indústria da celebridade, sabem que a sua sensibilidade tablóide está perfeitamente adequada a uma cultura tablóide, e sabem que todo o empreendimento se baseia em má-fé. Em todo o caso, os níveis de audiência continuam a subir…

Sempre tivemos uma veia voyeurista. A nossa sempre foi uma cultura de simplórios, que ficavam embasbacados com o mundo. Íamos ver a mulher barbuda e o homem albino transformados num só. E talvez seja a coisa mais certa para o momento actual, em que a verbosidade da cultura tablóide deu lugar à exibição de anões barbudos e de albinos com dois metros de altura, com a garantia de agradar aos desafios intelectuais (com razão a ocupar um lugar opcional). O anormal é normal, e volta logo a seguir aos anúncios.

Por muito perturbador que ache o anacronismo dos espectáculos de variedades, ainda fico mais incomodado com a falsidade que os impregna. Tanto os anfitriões como os convidados omitem factos, não empregam as palavras certas e não parecem dispostos a admitir as consequências dos seus próprios actos. Nunca vi nada mais inadequado, e quase grotesco, do que esta espécie de confissão.

Uma confissão começa numa caixinha escura, com uma superfície a separar o padre do penitente. Continua a ser numa caixinha escura e continua a haver uma superfície, mas está nas salas de toda a gente. Neste novo meio de confissão, as pessoas violam a sua própria privacidade, pondo a vida a nu, não para obterem uma absolvição, mas sim tempo de antena.

De facto, vivemos num mundo em que dar nas vistas passa por distinção, e a coluna das coscuvilhices tornou-se no quadro de honra…

André Malraux estava convencido de que o terceiro milénio seria a era da religião. Eu diria antes que será aquele em que finalmente nos libertamos da necessidade de uma religião. Porém, deixar de acreditar nos nossos deuses não é o mesmo que começar a não acreditar em nada. Para acreditar, temos de nos convencer da riqueza do homem, da sua densidade existencial, imortalidade, eternidade, e não de milenarismo sectário, simplista e visceral. De todas as linguagens, a única eterna é a do pensamento. A memória salva as pessoas do esquecimento. O perigo inerente é todavia o de não cumprir com o pré-requisito: uma curiosidade derivada do respeito por culturas profundamente diferentes.

Esta não é a principal lição a tirar do que está a acontecer em Espanha hoje em dia, mas é crucial. O debate público está cada vez mais nas mãos de atrasados mentais. Esta degeneração tem desempenhado um papel importante na alteração do paradigma da nossa sociedade. E que alteração é essa? Vejamos uma vez mais. Retira-se o homem do lugar que lhe compete no Universo – o epicentro. Diz-se ao homem que é um animal, para poder ser dominado como se o fosse. Os ideológicos da lavagem ao cérebro de Tavistock adoptaram um ponto de vista animalesco, partindo do princípio de que a mente humana não passa duma ardósia em branco, que evita a dor e procura o prazer. Foi a partir disto que o Instituto Tavistock desenvolveu as suas técnicas peculiares para a criação duma “psicologia de massas”.

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