Excertos do capitulo 5 do livro “O Instituto Tavistock” de Daniel Estulin (págs. 151-153)

O Wikileaks e o Papel da Comunicação Social Institucionalizada

Vejamos um exemplo recentíssimo de manipulação através da comunicação social: o Wikileaks, que foi fundado em Dezembro de 2006. Estranhamente, se tivermos em conta que se trata de uma página da internet que devia de servir para publicar “fugas de informação” e de um sítio dissidente, ele foi de imediato objecto de muita atenção da corrente dominante, como o Washington Post e a revista Time. O artigo desta última é curioso, por parecer que nos estavam logo a dizer como interpretar Wikileaks, duma forma bastante semelhante à usada por George W. Bush, imediatamente a seguir ao 11 de Setembro…

“Até Março, mais de um milhão de documentos desviados de governos e empresas da Ásia, do Próximo Oriente, da África subsaariana e do antigo bloco soviético estarão disponíveis na internet, numa nova e arrojada experiencia colectiva de delação. Isto, claro, se não se aceitar nenhuma das teorias de conspiração que se estão a formar, e segundo as quais o Wikileaks.org pode ser uma fachada da CIA ou de qualquer outro serviço secreto.”

Recorde o leitor e leia com atenção… este artigo foi escrito antes da primeira grande “fuga de informações”, a qual, segundo ele, ocorreria num qualquer dia de Março de 2007.

Então, porque haveria a revista Time de estar desde logo a referir-se-lhe, se este ainda não fizera nada? Então, porque assumiria um tal risco, a não ser que soubesse mais do que nós? Além disso, que não nos passe despercebida a deliciosa ironia: a revista Time a tecer louvores a uma suposta página de “fugas de informação”, que eventualmente exporia todos os tipos de “teorias da conspiração”, enquanto ao mesmo tempo diz aos leitores que NÃO acreditem nestas tolas “teorias da conspiração” que circulam sobre o Wikileaks. Calculo que esteja tudo bem desde que se acredite nas teorias da conspiração “correctas”.

Leia agora o que se segue, publicado na revista Time “Em vez de uns quantos especialistas universitários, o Wikileaks proporcionará um fórum para toda a comunidade global examinar exaustivamente todo e qualquer documento, verificando a sua credibilidade, plausibilidade, veracidade e falsificabilidade”, escrevem os seus organizadores na sua página de apresentação. Poderão interpretar os documentos e explicarão ao público a sua relevância. Se houver a fuga dum documento do governo chinês, toda a comunidade dissidente chinesa poderá escrutiná-lo e discuti-lo livremente…” Isto parece-lhe uma peça de propaganda de relações públicas escrita pelos tipos de Madison Avenue?

Parece um “manual de instruções” do Wikileaks. Não se esqueça de que lhe está a ser dito o que pensar e como interpretar a informação. Claro que, para a interpretar “correctamente”, tem de estar no “comprimento da onda” certo. Porém, para que o público desprevenido entrasse no comprimento de onda certo, o Wikileaks precisava da bênção oficial das publicações de referência. Sem o apoio do público, este pequeno projecto parecia condenado ao fracasso antes mesmo de levantar voo. Seria por isso que o responsável de relações públicas de Rupert Murdoch estava no conselho de administração do Wikileaks? É essa a razão de tanto a revista Times como o Washington Post avançarem com artigos a apoiar o Wikileaks, antes mesmo de alguém ter conhecimento do assunto?

Não se esqueça de que as noticias transmitidas pelos principais meios de comunicação social limitam a nossa compreensão do mundo, através do que optam por relatar e por descartar.

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