Excertos do capitulo 5 do livro “O Instituto Tavistock” de Daniel Estulin (págs. 144-147)

Turbulência Social

 

Em Tavistock, Eric Trist e Frederick Emery desenvolveram uma teoria sobre a “turbulência social”, supostamente para “suavizar o efeito de futuras impressões”, segundo a qual se podia abrandar uma população utilizando fenómenos em massa, como cortes de fornecimento de energia, afundamentos económicos e financeiros e ataques terroristas. “Se as “impressões” são muito seguidas umas das outras, e se administram cada vez com maior intensidade, é possível induzir a sociedade inteira num estado de psicose colectivo”, sustentaram Trist e Emery. E também afirmaram que “as pessoas acabariam por dissociar-se, pois tentariam fugir do terror causado por uma realidade tão confusa; fechar-se-iam num estado de negação e refugiar-se-iam em diversões e entretenimentos populares, e mostrariam uma certa tendência para sofrer de acessos de cólera”.

De facto, estamos a falar dos dois lados da mesma moeda. Por um lado, levar a cabo uma manipulação e um controlo encoberto e subtil da consciência e do pensamento humano através do poder da televisão. E “por outro, mudar de paradigma de forma directa e patente, modificar os conceitos básicos, ampliar os parâmetros e mudar o terreno de jogo e todas as regras pelas quais se define a sociedade, dentro de um período de tempo excepcionalmente curto”.

Uma dessas pessoas chave que participaram na guerra psicológica contra a população, criando artificialmente um estado de “turbulência social”, foi Kurt Lewin, um pioneiro da dinâmica de grupo que fez parte da Escola de Frankfurt durante os seus primeiros tempos e fugiu da Alemanha quando Hitler assumiu o poder. Esta passagem tirada do seu livro Time Perspective and Morale mostra a sua forma de entender a guerra psicológica:

“Uma das técnicas principais para destruir a moral mediante uma “estratégia do terror” consiste exactamente na táctica seguinte: a pessoa nunca deve saber com clareza qual é o lugar que ocupa e o que pode esperar. Se além disso se empregam indistintamente e com frequência medidas disciplinares severas e promessas de um bom trato, e se transmitem noticias contraditórias para se tornar ainda mais confusa a “estrutura cognitiva” da dita situação, é possível que a pessoa deixe de saber inclusive se um plano em particular a aproxima ou a afasta do seu objectivo. Em tais circunstâncias, até as pessoas que têm objectivos claros e que estão dispostas a correr riscos ficam paralisadas por causa de graves conflitos internos a respeito do que devem fazer.”

 

 

Ao longo dos últimos cinquenta anos, as investigações levadas a cabo nos campos de psicologia, da sociologia e da psiquiatria demonstram que existem limites claramente marcados para o número de mudanças que a mente pode suportar e a índole dos mesmos. Segundo a SPRU, Science Policy Research Unit (Unidade para a Investigação de Politicas Cientificas) do Centro Tavistock da Universidade de Sussex, a expressão “comoções futuras” é “ a ansiedade física e psicológica derivada da carga excessiva que pesa sobre o mecanismo de tomada de decisões da mente humana”. Ou seja, “uma série de sucessos que tem lugar tão rapidamente que o cérebro humano não consegue absorver a informação”. Uma das situações possíveis é a denominada “superficialidade”. Segundo Emery e Trist, ao fim de várias comoções seguidas, o grupo da população a quem são destinadas descobre que já não quer continuar a tomar decisões e reduz o “valor das suas intenções. […] Esta estratégia só pode sustentar-se negando as profundas raízes de humanidade que unem […] as pessoas a um nível pessoal, negando a sua psique individual”.

Então instala-se uma apatia, frequentemente precedida por uma violência sem nexo, como a que caracterizou os gangs de rua de LA, nas décadas de 60 e 80 do século passado; o que Emery e Trist designam como resposta social organizada à dissociação, tal como foi descrita nas páginas do romance Laranja Mecânica, de Anthony Burgess. Uma sociedade dominada por uma raiva animalesca e infantil. Trist e Emery acrescentam: “ Um grupo assim torna-se fácil de dominar e cumpre ordens com docilidade e sem se rebelar, que é o objectivo do exercício.” E mais, os adultos dissociados não conseguem exercer uma autoridade moral sobre os filhos, por estarem demasiado envolvidos nas suas próprias fantasias infantis, que lhes chegam através do televisor. Se o leitor duvidar do que estou a dizer, repare na geração de hoje mais velha, que aceitou a decadência moral da geração sem futuro dos seus filhos, em vez de confrontar o problema, tendo como consequência, os adultos de hoje acabarem por aceitar padrões morais mais baixos. Tal como no Admirável Mundo Novo de Huxley, dominado pelas drogas, não há aqui a possibilidade de opções morais ou emocionais, sendo a geração hippie e a rebelião encharcada em droga, da época da guerra do Vietname, o exemplo perfeito de como isso se processa.

Estas “oscilações frequentes” passam por diversas fases: “Estável, em que as pessoas são mais ou menos capazes de se adaptar ao que lhes sucede, ou turbulenta, em que as pessoas ou agem para aliviar a tensão ou se adaptam para aceitar o ambiente repleto de tensão. Se a turbulência não cessar, ou se intensificar, haverá então um ponto em que as pessoas deixam de conseguir adaptar-se de modo positivo. Segundo Trist e Emery, as pessoas tornam-se “inadaptáveis”; optam por uma reacção à tensão que degrada as suas vidas. Começam a reprimir a realidade, negando a existência desta e elaborando fantasias cada vez mais infantis, que lhes permitam lidar com a situação. Em condições de aumento de turbulência social, as pessoas alteram os seus valores, cedendo a valores novos e degradados, valores que são menos humanos e mais animalescos.”

A segunda fase, é a segmentação da sociedade em partes mais pequenas. Nesta, os grupos étnicos, raciais e sexuais entram em confronto. As nações desintegram-se em grupos regionais, e essas áreas mais pequenas fendem-se por sua vez em áreas ainda mais pequenas, segundo a etnia”. Trist e Emery referem-se a isso como um “aumento dos preconceitos dos grupos interiores e dos grupos exteriores, com as pessoas a procurarem simplificar as suas opções. As linhas naturais de divisão social emergem, até se tornarem barricadas”.

A resposta da sociedade a uma tal desintegração psicológica e politica é o estado fascista de Orwell, modelado no seu livro 1984. Neste, o “Grande irmão” regula as vidas e os conflitos das pessoas dentro da sociedade; um conflito interminável “é empreendido por cada grupo dirigente contra os seus próprios súbditos, e o objectivo da guerra não é conseguir ou evitar a conquista de território, mas sim manter intacta a estrutura da sociedade”.

A terceira fase é a mais intensa, envolvendo a retirada e o isolamento num “mundo particular e o afastamento das ligações sociais que possam acarretar o envolvimento nos assuntos dos outros”. Em que é este o nível de dissociação diferente do que vemos no actual grupo etário entre os 15 e os 24 anos? Até que ponto estamos afastados desta visão normal e social? Não estaremos quase lá? Trist e Emery estão convencidos de que os homens se disporão a aceitar “a perversa inumanidade do homem que caracterizou o Nazismo”. Não necessariamente a estrutura do Estado nazi, mas a perspectiva moral da sociedade nazi.

Para sobreviverem num tal Estado, as pessoas precisarão de criar uma nova religião. Wolfe afirma que “as antigas formas de religião, principalmente o Cristianismo ocidental, exigem que o homem seja responsável pelos outros seres humanos. As novas formas religiosas serão uma espécie de anarquismo místico, uma experiencia religiosa muito semelhante à prática satânica dos nazis ou aos pontos de vista de Carl Jung”. Esta é a “Nova Era”, a “Era do Aquário” pregada por Tavistock e pela Escola de Frankfurt, com os seus cultos religiosos de misticismo oriental, que levaram muitos jovens convertidos, através da lavagem cerebral, a afluírem a uma tal degeneração. Uma vez mais, é a televisão que fornece a “cola social” que une as mentes da população às suas novas formas religiosas.

Anúncios

1 Comment

  1. Muitos bons artigos neste site, alta qualidade em informação.
    Na nossa opinião este blog devera fazer parte dos seus sites favoritos.
    ____________________________
    Dicas e apoio em:
    Emprego, negócios, comprar e vender, fazer publicidade, criar um site, poupar, Vales de desconto e amostras.
    E muito mais!!!
    http://www.consultar.pt direcionado para o sitio certo!
    Frequente, não vai se arrepender.

Deixa um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s