Excertos do capitulo 5 do livro “O Instituto Tavistock” de Daniel Estulin (págs 142-144)

Controlar o Meio Ambiente

Algo óbvio para os lavadores de cérebros foi que precisavam de um sistema novo, baseado num apelo ao sentimentalismo. E para abrir uma brecha na competência moral da população, era necessário reduzir a sociedade à infantilidade. O Dr. Fred Emery, especialista em meios do Instituto Tavistock, escrevia em 1972, ao falar do impacto que a televisão tinha tido junto dos norte-americanos: “Consideramos que a televisão evoca a premissa básica da dependência. E deve evoca-la porque é essencialmente uma actividade emocional e irracional. (…) A televisão é o líder constante que proporciona alimento e protecção.”

O jornalista de investigação Lonnie Wolfe disse no seu esclarecedor relatório sobre o impacto que exerce a televisão nos poderes cognitivos de uma pessoa que, tanto Frederick Emery como Eric Trist, que até ao seu falecimento, em 1992, dirigiram as operações Tavistock nos EUA, referiram: “A televisão tinha um efeito dissociativo sobre as capacidades mentais e fazia com que as pessoas fossem menos capazes de pensar de forma racional. Os espectadores, conforme se vão habituando a ver seis ou mais horas de televisão por dia, cedem o seu poder de raciocínio às imagens e sons que saem do televisor.” Tavistock reconheceu que o hábito de ver televisão destrói a capacidade que a pessoa tem para realizar uma actividade cognitiva critica. Dito de outra forma, torna-nos parvos.

Porque pôr a sociedade ao nível dos animais é especialmente importante do ponto de vista de Tavistock, se se pretende controlar o planeta Terra. “Dado que a única maneira de incrementar o poder do ser humano, como espécie, dentro do Universo e sobre ele, consiste em descobrir e validar os múltiplos princípios físicos que o regem, deduz-se que a única maneira de agir que distingue o ser humano dos animais é essa forma de acção, denominada “cognição”, mediante a qual se gera o acto se descobrirmos os múltiplos princípios físicos que corroboram do Universo. Deste modo, essa acumulação de conhecimentos úteis, de geração em geração, para fins práticos, é o que define a prova evidente que distingue o homem das bestas.”

Todavia, o efeito dissociativo não é mais que um dos muitos aspectos vinculados ao problema de como superar a resistência e mudar o actual paradigma da sociedade, segundo os lavadores de cérebro do Instituto Tavistock. Segundo Theodore Adorno, da Escola de Frankfurt: “É óbvio que a modificação da estrutura potencialmente fascista não se pode alcançar unicamente por meios psicológicos. Tal tarefa é comparável à de eliminar o mundo a neurose, ou a delinquência ou o nacionalismo. São o resultado da organização da sociedade, e só devem mudar à medida que a dita sociedade muda. Não compete ao psicólogo dizer como se devem operar estas mudanças. O problema é tal que requer o esforço conjunto de todos os sociólogos. O único ponto em que insistimos é que o psicólogo tenha voz nos conselhos ou mesas redondas onde se estuda o problema e se planifica a acção. Estamos convencidos que entender cientificamente a sociedade implica entender o que esta faz às pessoas e compreender que é possível fazer reformas amplas e radicais que, ainda que sejam desejáveis em si mesmas, não mudem necessariamente a estrutura de uma personalidade influenciada pelos preconceitos. Para que o potencial fascista mude, ou pelo menos para se conseguir mantê-lo em cheque, a capacidade das pessoas de ver por si mesmas e de serem elas próprias deve ser maior. E isso não se consegue manipulando-as, por mais apropriados que sejam os instrumentos de manipulação da psicologia moderna. (…) É ai que a psicologia pode desempenhar o seu papel mais importante. As técnicas para superar a resistência, desenvolvidas principalmente no campo da psicoterapia individual, podem melhorar-se e adaptar-se para se aplicarem a grupos, inclusive às massas.”

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