Excertos do capitulo 5 do livro “O Instituto Tavistock” de Daniel Estulin (Págs 134-136)

A Lavagem Cerebral Colectiva Segundo Freud

Ainda que possa surpreender muita gente, a Alemanha nazi foi uma experiencia de psicologia de massas de Freud. Ou seja tanto Freud como os nazis compartilhavam o mesmo sistema de crenças a respeito do homem, e consideravam-no um animal pecaminoso que é permitido existir, submetido a leis rigorosas.

O homem não foi feito à imagem de Deus vivo, disse Freud; o homem fez Deus à sua imagem, com o fim de aliviar a dor da existência. Freud chamou “infantis” aos intelectuais anteriores a ele porque defendiam a doutrina religiosa: “Nós dizemos a nós próprios que era muito bonito que houvesse um Deus criador do mundo e uma Providência benevolente […] Em troca, vocês defendem a fantasia religiosa com todas as vossas forças. Se esta cai em desgraça – e desde logo fica gravemente ameaçada – o vosso mundo desmorona-se. Fica somente a desesperança a respeito de tudo, da civilização, do futuro da humanidade. Mas eu, nós, estamos livres desse vínculo. Como estamos dispostos a renunciar a uma boa parte dos nossos desejos infantis, podemos suportar que umas quantas das nossas expectativas sejam fantasiosas.”

Toda a psicologia freudiana é uma forma de lavagem cerebral, já que, para estar de acordo com as suas premissas, é necessário aceitar que o homem é um animal e que deve negar a existência das leis universais e de Deus.

“A psicologia freudiana, tal como aconselhava Freud aos neurofreudianos como Carl Jung, fez furor nos anos 20. Foi introduzida na cultura popular pelos meios de comunicação do momento, nos artigos publicados em jornais e revistas. A sua teoria demencial do “id”, “ego” e “superego” passou a fazer parte da cultura popular, igual à sua convicção de que a criatividade nasce do impulso sexual.”

Um dos elementos-chave da obra de Freud sobre a psicologia de massas provém de Psicologia das Multidões, do psicólogo francês Gustave Lebon, que afirmava que o homem, quando faz parte de uma multidão, regressa a um estado mental primitivo. “Entre a multidão, as pessoas desinibem-se e esquecem as normas morais, e tornam-se essencialmente emotivas.” Le Bon disse que significa o retorno à natureza primitiva do homem, afirmando: “O Homem regressa as suas raízes animais”. É nisto que se baseia a mobilização das pessoas em massa. Os desfiles de vitória são somente um exemplo deste fenómeno. A ideia de que todos os cidadãos de bem devem concentrar-se em redor da bandeira para atacar é em si mesma outra forma de ditadura social.

Mas este fenómeno tem outro efeito secundário. “Quando o homem massificado se torna mais primitivo e o seu comportamento mais próprio de um animal, também sente aumentar o poder, enquanto a sua responsabilidade individual a respeito dos seus actos – um factor-chave em todo o juízo moral – diminui.”

Por outro lado, longe de aceitar que tudo isto será para um propósito comum, Freud e Le Bom ignoram o direito que a mente tem de saciar a sua curiosidade e seguir por onde ela a puder levar. Ao fim e ao cabo, a curiosidade é a insubordinação na sua forma mais pura, uma atitude que nos EUA de hoje levaria uma pessoa à prisão por realizar uma actividade antiamericana. O legado da civilização cristã ocidental defende a liberdade da mente do individuo perante a coerção da cultura de massas, a propaganda dirigida às massas ou a mobilização das massas.

“O domínio das massas por parte de uma minoria continuará a ser tão imprescindível como a imposição coerciva do trabalho cultural”, escreveu Freud em 1927, atacando a religião, na sua obra O Futuro de Uma Ilusão. “Pois as massas são preguiçosas e ignorantes”. Estas ideias não se afastam muito das palavras de Hitler; e formam o miolo do pensamento nazi.

Muito antes de Hitler publicar Mein Kampf, Freud falou, no seu A Psicologia das Massas e Análise do Eu, do princípio de liderança em volta do qual se organizou o Estado nazi. “Qualquer massa, seja ela a de uma nação ou de um grupo criado ao acaso, deve ter um líder”, escreveu. E acrescentou: “Uma pessoa que lhe proporcione o seu “ideal de eu” ou valor. O líder converte-se no “ideal do eu” comum de cada membro e adquire todas as suas faculdades críticas, de tal modo que o hipnotizado cede a sua autodeterminação ao hipnotizador. É o líder quem contribui com o vínculo comum a uma massa de pessoas; o apego comum ao líder permite que cada membro se identifique com o outro, com qual a massa toma forma e direcção.”

Hitler era freudiano? “Sabe-se que Hitler lia Le Bom”, escreve Lonnie Wolfe em A Criação de Uma Sociedade Fascista. “Não se sabe se leria Freud, nem se conhecia A Psicologia das Massas e Análise do Eu, mas está claro que quem levou Hitler ao poder e quem dirigiu o seu movimento lia Freud, assim como a maior parte da elite governante daquela época. Eram eles que promoviam a moda freudiana e a sua propaganda por todo o mundo.”

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