Excertos do capitulo 5 do livro “O Instituto Tavistock” de Daniel Estulin (Págs 129-133)

A criação de uma sociedade fascista

A maioria das pessoas crê ter uma ideia bastante aproximada daquilo que é uma sociedade fascista. Viram os filmes da Alemanha nazi dos anos 30, feitos para a televisão. As multidões, o alvoroço, as luzes, as tropas de botas altas. As gigantescas concentrações, as bandeiras agitando-se. Logo, também viram os discursos de Hitler perante multidões que o aplaudiam e que levantavam o braço fazendo a típica saudação ao seu Führer. É impossível esquecer as imagens aterradoras dos nazis partindo as janelas do gueto judaico e atirando para as ruas as frágeis anciãs, agarrando-as pelo cabelo, e a Gestapo e os soldados das SS a espancar uma pessoa com a culatra da arma. E há outras imagens: os campos de extermínio e o mundo inteiro, que desconhecia a sua existência, horrorizado. Os cadáveres, as dentaduras, as ossadas, aqueles mortos-vivos, e também o cabelo, os dentes de ouro, as alianças de casamento e os fornos.

A maior geração do século XX foi à guerra para derrotar o maior mal que o homem já conheceu. Na guerra morreram vinte e seis milhões de soviéticos, mais vários milhões de europeus e meio milhão de soldados norte-americanos. Nunca mais. Isso foi o que dissemos todos quando terminou a guerra. Lembra-se? O mundo não ia tolerar de novo algo tão desumano como aquilo. Jamais voltaríamos a ter outro Hitler entre nós. Jamais permitiríamos que se pisassem daquele modo os direitos humanos. Sim, estará você a dizer. Nunca mais! Mas está seguro disso? E se lhe disser que temos deixado o monstro voltar e que você, leitor, é em parte culpado disso? Acreditará em mim?

Voltemos aquela imagem das tropas norte-americanos vitoriosas a entrar em Bagdad e em Cabul. Pensamos na guerra da Líbia. Pensemos na operação Tempestade no Deserto. Recorda-se dos desfiles, dos confetes, dos soldados e daquelas equipas carregadas de equipamento caríssimo marchando na televisão perante um público entusiasmado que não parava de agitar bandeiras? Soa-lhe familiar? Nos EUA havia milhões de pessoas a celebrar aquela grande vitória, agitando centenas de milhares de bandeiras de plástico que lhes tinham dado; multidões aplaudindo e levantando os braços para mostrar a sua aprovação ao seu presidente e ao seu general no comando, que saudavam por sua vez. Estamos a voltar ao mesmo? Eu diria que sim. Sim, voltámos a presenciar a emoção da vitória e a dor da derrota. Só que desta vez demos, na realidade, um pontapé no traseiro desses árabes fedorentos. Não vai dizer-me que não! Olá, mamã, somos número um!

De facto, se bem se lembra, estas celebrações foram organizadas pela televisão. Se nos pusermos a pensar, vemos que o mesmo sucedeu com o argumento para a intervenção, que foi simplesmente um copiar e colar de outros acontecimentos da história. Pensemos no Sudão e na coligação Salvemos Darfur, no Kosovo e nos Balcãs, na Somália, Granada, Malvinas…. A televisão actuou como facilitador da “maior celebração patriótica da história”, como denominarão.

Tal como disse Keith Harmon Show em GlobalResearch, a 7 de Fevereiro de 2007, fazendo referencia ao conflito do Sudão, inspirado pela Grã-Bretanha: “Primeiro, cria-se a instabilidade e o caos para que pareça que os árabes estão a lutar contra os africanos (esses também andam sempre a matar-se uns aos outros). Segundo, organiza-se uma campanha nos meios de comunicação que conduza a atenção pública ao aumento da instabilidade. Terceiro, agita-se a opinião pública e promove-se a indignação entre uma população ocidental manipulada que, de forma bastante literal, é capaz de acreditar em qualquer coisa. Quarto, asseguram-se de que o Diabo – desta vez são as milícias árabes, os yanyawid – venha montado a cavalo. Este último ponto sublinha o tema sempre eterno da literatura: o bem contra o mal. Quinto, demoniza-se o “inimigo” (leia-se os árabes sujos) e os seus sócios (as petrolíferas chinesas e os traficantes de armas russos). Sexto, enviam-se para lá soldados cristãos e os seus exércitos “humanitários”. Em seguida insere-se “Salvemos Darfur!”, e já está, nasceu um movimento. Sétimo, continua-se a debilitar o poder do inimigo minando a sua credibilidade. Oitavo, sob o estandarte da superioridade moral e contando com o total apoio de um público ocidental muito consciencializado, expulsa-se as forças malévolas (do Islão e do Oriente) e instala-se um governo benevolente, amante da paz e propenso â democracia. E por último, retiram-se as sanções, que já não são necessárias, e leva-se o tão necessário “desenvolvimento” a outro país atrasado. E já temos tudo: outra missão de “civilização” para conquistar essas hordas bárbaras de árabes e esses africanos tribais mortos de fome, desamparados ignorantes, doentes e infestados de SIDA.” Ámen!

Este exemplo mostra com eficiência a televisão é capaz de manipular a opinião pública em nome de cruzadas militares estrangeiras que fazem avançar a causa do governo mundial, e fazem-no sem sequer declarar de maneira explicita que o objectivo é o Governo Mundial ou a empresa mundial. Recorde-se que foi a televisão que lhe disse o que você estava a celebrar e porque se devia sentir orgulhoso de ser americano ou, pelo menos, ficar em divida para os que são. Isto não acontece exclusivamente no mundo da política. Recorde-se da “gloriosa” vitória da Espanha no Mundial de Futebol de 2010. A celebração não teria sido a mesma se a televisão não tivesse reafirmado o direito dos espanhóis a sentirem-se “orgulhosos”.

Uma coisa que se calhar não se apercebeu, porque não lhe contaram um feito tão mínimo, é que antes das campanhas de propaganda “humanitária” nos meios de comunicação, nem a Somália nem o Kosovo, e certamente nem o Sudão. Figuravam entre as principais preocupações do cidadão norte-americano. Na realidade, mais de 85% dos norte-americanos não era capaz de situar o Sudão no mapa. O mesmo podia dizer-se da Somália e do Kosovo, para não mencionar o Iraque antes da invasão da Tempestade no Deserto de 1991. Cerca de 87% não sabia onde ficava o Iraque e não tinha a menor ideia de quem era Sadam Hussein, até que os diligentes e persistentes esforços realizados pela CNN para ensinar o público norte-americano tornaram possíveis estas campanhas militares.

De qualquer forma, o que é absolutamente de pasmar é que o público jamais questionou alguma coisa acerca disto. Em vez disso, as pessoas preferem participar na celebração, que seja directamente, enchendo as ruas e agitando bandeiras dos EUA, ou através das emissões da televisão nacional.

Em finais de 2010 já tinham morto mais de um milhão e meio de iraquianos inocentes, além de Sadam Hussein e mais de cinco mil soldados norte-americanos, e várias dezenas de milhares de pessoas desconhecidas tinham sido mutiladas para a vida, como consequência de uma guerra que “libertava” o pais em nome do British Petroleum, do Royal Dutch Shell, do Halliburton, do Blackwater, do Chase Manhattan, do Bank of America, do Citigroup e de um número interminável de multinacionais que lutavam por um pedaço dos trofeus e das riquezas do Iraque! Olá, mamã!

E pensam que o Afeganistão é diferente? Outra guerra, outro dólar, outra lista de estatísticas desagradáveis. Entre Afeganistão e Iraque, dezenas de milhares de crianças mortas, centenas de milhares de mutilados para o resto da vida. E por quem lutámos? Os EUA derrotaram os porcos dos talibãs, só para substituir por um dos líderes mais corruptos que o mundo já conheceu: Hamid Karzai, um importante traficante de droga que se juntou com as mesmas forças indesejáveis contra as que tivemos de lutar. Olá, mamã! Continuamos a ser o número um? O número um em idiotice, é isso que somos. E, bem, como se sente agora? Foi isto que esteve a celebrar.

E acredite em mim, não há diferença entre os valentões agressivos e nazis dos anos 30 e os agressivos libertadores democráticos de 2011. Sem sequer se dar conta, você passou a fazer parte da corja, de uma turba fascista organizada inteiramente através da televisão.

Continua a não acreditar em mim? Viajou ultimamente aos EUA? O pessoal do aeroporto, que faz parte do Departamento de Segurança Nacional, é composto pelos mesmos soldados nazis que derrubavam as velhotas judias, arrastando-as para a rua e as matavam a golpes de culatra, simplesmente por prazer e em nome da segurança. Enquanto você, o cidadão-modelo, permanecia e permanece agora à margem, sem fazer nada, imponente e mudo. Ocorreu-lhe alguma intervir e dar uma mão? Não, porque você e os seus concidadãos têm o cérebro lavado pela televisão para que nunca questionem a autoridade, por muito escandaloso e desumano que possa ser o seu comportamento. Ou pensa realmente que chegou a este ponto sozinho? Retroceda trinta anos. As pessoas comportavam-se assim com o seu próximo? Claro que não. Então, o que aconteceu? Em algum momento, não sabemos quando, perdemos a consciência.

A consciência é algo que desenvolvemos, na medida em que sentimos e pensamos por nós próprios. Enquanto nos limitarmos a aceitar os tópicos emocionais e intelectuais dos outros, ficamos sem fazer nada.

Digamo-lo da seguinte forma: “ A chegada e a difusão generalizada da tecnologia deixaram obsoleto o modelo nazi da sociedade fascista; trouxeram um meio melhor, mais subtil e mais poderoso para controlar a sociedade que o terror organizado do Estado nazi.”

A maioria das pessoas acha isto totalmente escandaloso. No fim de contas, o que tem o nazismo a ver com uma inocente celebração de uma vitória democrática ou do futebol?

 

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