O próximo palco da guerra americana: Síria e Líbano?

Por Mahdi Darius Nazemroaya

Noticia antiga, mas artigo interessante

 

A guerra de Washington contra o bloco de resistência.

 

Washington e seus aliados, Israel e os al-Sauds  estão levando a vantagem em todos os levantes no Mundo Árabe. Eles estão agora trabalhando para desmantelar o Bloco de Resistência e enfraquecer qualquer rumo para a democracia no Mundo Árabe. O tabuleiro de xadrez geopolítico está em vias de se preparar para um longo confronto cujo alvo será Teerão e inclui a Síria, o Líbano, o Iraque e os palestinianos.

Amarrando as Mãos do Hezbollah Através de Pressão Interna e Externa

Existe um impasse em relação à formação de um governo libanês. Michel Sleiman que mantém a presidência e o novo primeiro ministro libanês [2] estão retardando a formação do gabinete em uma disputa política com Michel Aoun, o líder do Movimento Patriótico de Libertação.

É possível que a formação do novo gabinete libanês esteja atrasado para que, deliberadamente, o Líbano fique neutralizado no fronte da política internacional.

O Conselho de Segurança da ONU e alguns corpos desta instituição são totalmente submissos aos Estados Unidos e a União Europeia para pressionar o Líbano. O Secretário Geral, Ban Ki-moon, recebe suas ordens de Washington e tem contribuído providenciando e legitimando as guerras dos EUA e da OTAN. Moscou tem acusado abertamente Ban Ki-moon de traição por seus negócios secretos com a OTAN em 2008.

E é neste o contexto que a ONU é utilizada como um fórum insidioso que tenta internacionalizar a questão das armas em posse da Resistência Libanesa com o objectivo de desarmá-la. Apesar do fato da Resolução 1559 não estar mais activa o Representante Especial para a Implementação da Resolução 1559, Terje Roed-Larsen, continua activo e emitindo relatórios contra o Hezbollah.

Os comissários da ONU para o Líbano se assemelham a figuras coloniais que, sem serem convidados, fazem editais em Beirute e trabalham como agente de Washington, Bruxelas e Tel Aviv. O Tribunal Especial do Líbano (STL), que possui uma divisão inteira no Departamento de Estado dos EUA, também é uma arma política carregada que Washington planeia usar contra o Líbano e a Síria.

Um tribunal internacional foi formado devidas circunstancias do assassinato de Rafic al-Hariri. Apesar de não ter havido uma declaração da posição oficial acerca deste assassinato um tribunal inteiro foi criado exclusivamente para este caso. Por outro lado, a chamada comunidade internacional não se interessou em constituir nenhum tipo de tribunal para investigar o assassinato de milhares de pessoas mortas no Líbano. O que isso diz a respeito do STL e da busca pela justiça?

A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) também tem sido cúmplice de violações israelitas contra o Líbano. Mesmo a Assistência Humanitária das Nações Unidas e Agência de Obras para os Refugiados Palestinianos no Oriente Próximo (UNRAW) tem sido infiltradas por funcionários que apoiam os crimes israelitas contra os palestinianos e os libaneses. Isso foi demonstrado por Christopher Gunnes, o porta-voz da UNRAW, em sua entrevista com militares israelita, em 15 de maio de 2011. Enquanto a israelita IDF disparava em manifestantes civis desarmados durante o dia de Nakba de 2011 (3) Gunness reafirmou que a UNRAW está trabalhando para os interesses da segurança nacional de Israel, enquanto acusa os palestinianos de cometer actos terroristas contra Israel. Mesmo o cerco de Israel à Faixa de Gaza foi tratado com cal pelo porta-voz da UNRAW.

A abstenção de um novo gabinete no Líbano tem permitido que Saad Hariri ea Aliança de 14 de Março de continuar a ter uma mão terrificante no controle dos negócios Libaneses. Isso apenas dá mais tempo para o STL que pode prosseguir sem ser desafiado por um governo libanês em Beirute que possa vir a ser hostil ao STL. Um novo governo em Beirute pode certamente ser questão de legitimidade para o STL.

Além disso, as Forças de Segurança Internacionais (ISF) do Líbano também são utilizadas por Saad Hariri contra o Hezbollah e os oponentes políticos da família de Hariri. A ISF pode então ter uma mão no trabalho contra Damasco, ajudando a promover a violência na Síria. A ISF recebe suas ordens directamente da família Hariri.

Por causa da liberdade dada à Saad Hariri e a seus compinchas (em grande parte pela falta de um gabinete em funcionamento em Beirute), Ziad Baroud, o actual Ministro do Interior do Líbano, se recusou a assinar qualquer outro papel de seu ministério. Baroud tomou sua posição, pois, acredita que a ISF está actuando secretamente e sem a sua aprovação ou supervisão. A este respeito, a ISF se recusou a seguir qualquer ordem de Ziad Baroud para permitir Charbel al-Nahhas, o actual Ministro das Telecomunicações do Líbano, de entrar no sede da ISF para verificação de rotina. A ISF está claramente tentando esconder suas operações e está agindo para prevenir que al-Nahhas e sua equipe entrem em certos lugares do sede ISF.

Também não é segredo que o Líbano seja um covil de agentes de inteligência e detectives dos Estados Unidos, da União Europeia, de Israel, da Jordânia e da Arábia Saudita. Seus objectivos são desmantelar e controlar o Hezbollah e sua coalizão.

Em 2006, durante o bombardeio de Israel ao Líbano as membros das embaixadas da União Europeia também estavam colectando dados contra o Hezbollah. Os sauditas ajudaram a facilitar as conexões entre Israel e a rede de espiões no Líbano. Isso é demonstrado pela clara conexão entre o Sheikh Mohammed Ali Husseim, o clérigo xiita capturado trabalhando para Israel e os Al-Sauds.

Em sintonia com tudo isso, o Hezbollah é constantemente acusado de ser um instrumento do Irão. Recentemente, o Hezbollah foi acusado, juntamente com o Irão, de ter incitando protestos no Golfo Pérsico, especificamente no Barein e nas áreas dominadas pelos xiitas na Arábia Saudita. A respeito disso os cidadãos libaneses, independentemente de sua fé na maioria dos casos, também tem sido apontados pelo regime de Khaliji e expelidos do Golfo Pérsico. Isto é parte de uma carta sectarista para criar divisões regionais e ódio. Hariri ironicamente acusa o Irão de interferir no Barein no mesmo momento em que os sauditas militares invadiram a Ilha Estado para manter o poder de al-Khalifas.

Os territórios dos sheiks do petróleo no Golfo Pérsico agora estão sistematicamente proibindo cidadãos libaneses, sírios, iraquianos e iranianos de cruzar suas fronteiras. O Kuwait se justificou dizendo que eles podem causar problemas ao Kuwait devido a instabilidade política de seus países.

Desestabilizando a Síria

Damasco está sob a pressão de capitular aos editos de Washington e da Nação Europeia. Isto faz parte de um projeto de longa data. Troca de regime ou subordinação voluntária do regime sírio são os objectivos. Isso inclui a subordinação da política internacional da Síria e a desconexão da Síria com a aliança estratégica com o Irão e os outros membros do Bloco de Resistência.

A Síria é governada por uma oligarquia autoritária que utiliza da força bruta nas negociações com seus cidadãos. Os conflitos na Síria, no entanto, são complexos. Eles não podem ser vistos unicamente como uma questão de liberdade e democracia. Existe também a intenção dos Estados Unidos e da União Europeia de utilizar estes conflitos na Síria para pressionar e intimidar seus líderes. A Arábia Saudita, Israel, a Jordânia e a Aliança de 14 de Março também desempenham seu papel apoiando a insurreição armada.

Os al-Sauds também ajudaram a sufocar qualquer chamado autentico por reforma democrática e marginalizar os elementos democráticos da oposição na Síria durante os protestos e conflitos. A respeito disto os Al-Sauds tem apoiado duas facções sectárias bem como elementos terroristas que questionam as fundações de tolerância religiosa na Síria. Estes elementos são em sua maioria extremistas Salafitas, como o Fatah al-Islam e os nomos movimentos políticos extremistas que estão se organizando no Egipto. Eles também tem combatido contra os Alaítas, os Drusos e os Cristãos sírios.

A violência na Síria é apoiada externamente com a visão das vantagens que geram as tensões internas e a raiva na Síria. Além da reacção violenta do Exército Sírio, a media esta usando mentiras e imagens falsas vão ao ar. Dinheiro e armas também tem sido enviados aos elementos de oposição ao governo sírio pelos Estados Unidos, pela União Europeia e pela Aliança de 14 de Março, pela Jordânia e pelos Khalijils. Fundos também são providenciados por figuras sinistras e impopulares da oposição que estão fora do país, enquanto as armas entram ilegalmente na Síria através da Jordânia e do Líbano.

Os eventos que ocorrem na Síria também são amarrados ao Irão, o aliado estratégico de Damasco desde longa data. Não é por acaso que o Senador Lieberman pede publicamente que a administração de Obama e a OTAN ataquem a Síria e o Irão como estão atacando a Líbia. Também não é coincidência que o Irão seja incluído nas sanções contra a Síria. As mãos do governo Sírio e de seu Exército estão amarradas internacionalmente, como uma nova e ampla ofensiva que está sendo preparada e cujo objectivo é a Síria e o Irão.

A Síria e os Campos de Gás Levantinos do Leste Mediterrâneo

A Síria é a peça central de dois importantes corredores de energia. O primeiro liga a Turquia  eo Cáspio a Israel e ao Mar Vermelho, e o segundo liga o Iraque ao Mediterrâneo. A rendição da Síria pode significar que Washington e seus aliados irão controlar estas rotas. Isto também pode significar que os grandes campos de gás natural da costa libanesa e síria do leste mediterrâneo podem ficar fora do alcance da China e passem a se dirigir para a União Europeia, Israel e Estados Unidos.

Os campos de gás do Leste Mediterrâneo tem sido ponto de negociação entre a União Europeia, a Turquia, o Irão, a Síria e o Líbano. Além do gasoduto Baku-Tbilisi-Ceyhan (BTC), a existência dos campos de gás levantinos também são o motivo pelo qual o Kremlin criou uma base militar na Síria para a Federação Russa. Isto foi feito pela melhoria das bases navais da Síria na era soviética. Além disso, o Irão se comprometeu em explorar e ajudar a desenvolver estes campos de gás naturais levantinos pela costa para Beirute e Damasco.

A reconciliação entre o Hamas e o Fatah

Existe uma forte correlação entre a guerra no Sudoeste da Ásia e a crescente conversa em nível oficial entre as lideranças palestiniano. A esperança da criação de um Estado Palestino já foi utilizada duas vezes como uma válvula de escape no Mundo Árabe da tensão criada pelos preparativos da guerra contra o Iraque. Da primeira vez com o George H.W. Bush (pai) e na segunda vez com o George W. Bush (filho) que foi aplaudido por ser o primeiro presidente dos EUA a falar seriamente em um Estado Palestino.

Como se desse uma guinada em sua posição, Obama está também falando em um Estado Palestino. Além disso, a aproximação entre o Hamas e o Fatah tem colaborado com a contagem regressiva em caminho ao inicio do reconhecimento internacional de um Estado palestino. Os israelita também têm liberado os fundos congelados palestinianos, que eles se recusavam a liberar enquanto durasse o Hamas.

A reaproximação entre o Fatah e o Hamas também te servido para amarrar as mãos do Hamas. O Hamas terá de tomar cuidado para não se tornar efectivamente um membro Júnior de um governo palestino sob ocupação israelita. O Hamas precisa efectivamente modificar sua posição em relação a sociedade de uma unidade de governo com o Fatah. Com toda a probabilidade Tel Aviv e Washington buscam impor o Fatah como a mais poderosa autoridade palestiniano. Em outras palavras, o Hamas está sendo domesticado indirectamente por Israel e Washington.

Instabilidade no Paquistão

O pronunciamento de que Osama bin Laden foi morto pelas forças dos Estados Unidos contribuiu com o processo da secreta desestabilização política no Paquistão. Houve um esforço calculado para que Osama bin Laden fosse apresentado como uma figura popular e venerada pelos muçulmanos. Isto é, com a visão que apoie o chamado “Choque entre Civilizações”.

Ao mesmo tempo em que o governo dos Estados Unidos começa uma campanha mediática contra o Paquistão, Islamabad é mostrada como um abrigo para Osama bin Laden e sua rede al-Qa’idah. Na realidade o envolvimento do Paquistão com os terroristas foi ordenado e dirigido por Washington. Esta é uma história muito mais complicada que isto, mas, o que está acontecendo na realidade é que a nação paquistanesa se tornou alvo de desmantelamento.

O desmantelamento e a desestabilização do Paquistão poderão servir a três objectivos:

1. Promovendo o cenário de guerra com o Irão: O Paquistão não poderia estar sob a ameaça de ser tomada por revolucionários, que poderiam estar do lado do Irão e seus aliados.

2. A segmentação dos interesses chineses no Paquistão, incluindo o corredor de energia do Irão para a China (e o porto chinês em Gwadas), que transita pelo Paquistão.

3. Desestabilização regional em uma área chave da Euroásia onde o Sudoeste da Ásia, a Ásia Central e o subcontinente indiano se encontram. Esta área se estende do Irão e Afeganistão para o Paquistão, a Índia e ao Oeste da China.

Ao mesmo tempo Washington também quer neutralizar o programa nuclear paquistanês.

Os Estados Unidos também anunciaram que possuem o direito de violar os limites nacionais dos países que abrigam terroristas, bem como o de enviar tropas a estes países como parte da “guerra ao terrorismo”.  Hillary Clinton justificou o posicionamento de Washington dizendo que as forças americanas poderão assassinar terroristas. Isto é meramente uma porta de entrada para a criação de um pretexto para a intervenção militar em países como o Irão, onde as Guardas Revolucionarias são designadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos, ou na Síria, onde grupos de palestinianos exilados também são designados como organizações terroristas por Washington.

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