O Fenómeno Finlandês

Por Francisco Roland Di Biase

“Existe um país onde os estudantes começam a estudar em uma idade mais avançada, assistem a menos aulas, tem três meses de férias de verão, passam menos tempo na escola por dia, raramente tem dever de casa e raramente são avaliados.”

“Existe um país onde professores são profissionais respeitados e rapidamente recebem um cargo, são raramente avaliados, ganham bons salários e tem um sindicato forte. ”

“Existe um país onde as escolas recebem fundos modestos, desenvolvem seus próprios currículos, pesquisam e adotam novas tecnologias, não tem diferenças de rendimento entre os alunos e não deixam nenhuma criança para trás.”

“Esse país é classificado no topo da lista por quase todas as medições.”

“Bem vindo à Finlândia.”

São com essas sentenças que começa o documentário “The Finland Phenomenon: Inside the World’s Most Surprising School System” (O Fenómeno Finlandês: Dentro do Mais Surpreendente Sistema Escolar do Mundo) de Robert A. Compton, dirigido por Sean T. Faust e apresentado pelo Dr. Tony Wagner. O filme mostra o sistema de ensino na Finlândia, um país que saiu da segunda guerra mundial com uma economia agrária e hoje é líder em desenvolvimento tecnológico sendo classificado pela ONU em 1º lugar em matéria de educação no mundo.

A grande diferença é que em vez dos professores ensinarem um conteúdo para os alunos as crianças são ensinadas a pensar por elas mesmas incentivando a criatividade, a curiosidade e a imaginação. Elas são estimuladas a resolver problemas, pesquisando e analisando as informações sozinhas, ter clareza de pensamento e fazer críticas.

Um bom exemplo desse método é quando ensinam o teorema de Pitágoras, em vez do professor explicar para os alunos como chegar na famosa fórmula (a2 = b2 + c2), ele os conduz para que descubram o teorema por si mesmos.

No decorrer das aulas procura-se que 60% do tempo seja dos alunos, para discutir o assunto, e os 40% restantes do professor, deixando os estudantes mais livres para chegarem as suas próprias conclusões. Além disso, também permite que os professores dediquem mais atenção para as crianças com maior dificuldade não permitindo que ninguém fique para trás.

A necessidade de testes e provas para avaliar o desempenho do aluno é quase inexistente assim como não existem turmas especiais, todos os alunos recebem a mesma qualidade de ensino, não importando onde estudem, sua condição social, raça, religião etc.

Todos os professores, até os de 1º grau, precisam ser mestres para exercer a profissão, significando pelo menos 5 anos de estudos, 3 para o bacharelado mais 2 para o mestrado e mesmo assim apenas 10% dos candidatos são absorvidos pelo sistema de ensino que diga-se de passagem é público.

Os candidatos que conseguem se tornar professores primeiro viram “professores- estudantes” onde terão que assistir as aulas, junto com os alunos, ministradas pelos mais experientes “professores-mestres”. Depois de cada aula os professores-estudantes discutem com os professores-mestres suas observações sobre o método de ensino, o que fariam diferente e assim por diante. Esse sistema cria um ambiente onde os professores estão constantemente aprendendo e aperfeiçoando-se com o “feedback” dos demais. É um sistema dinâmico onde o professor não é um profissional solitário diferente da maioria dos outros países.

E isso é possível porque na base do sistema está a confiança de que está sendo realizado um trabalho de alta qualidade pelas instituições educacionais e professores. Um bom exemplo são os currículos. O Ministério da Educação da Finlândia tem um currículo básico, mas confia nos municípios e suas escolas para adequá-los as necessidades locais, ou seja, as escolas criam seus próprios currículos em cima do básico. Por sua vez as escolas confiam nos professores para ensinar da maneira que acham melhor não havendo a necessidade de avaliá-los.

O surpreendente é que o sistema foi implantado em apenas 25 anos. Na década de 1970 quando a força de trabalho começou a diminuir, o governo tomou a decisão que a base do desenvolvimento do país não iria mais ser a produção industrial, mas a capacidade de desenvolvimento intelectual da população. Isso levou a Finlândia, hoje, ter um orçamento de 3,5% do PIB para Pesquisa e Desenvolvimento, o 3º maior do mundo e também ser o país com a maior taxa per capita de pesquisadores no mundo.

Como Einstein uma vez disse “A formulação do problema é mais importante que a solução”.

Referência:

The Finland Phenomenon: Inside the World’s Most Surprising School System de Robert A. Compton e dirigido por Sean T. Faust.

Trailer do filme: http://www.youtube.com/watch?v=bcC2l8zioIw

O blog de Francisco Roland di Biase : http://infoalternativas.blogspot.com/

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