A nova confrontação militar Leste-Oeste

«A ARTE DA GUERRA»
A nova confrontação militar Leste-Oeste

por Manlio Dinucci

Barack Obama denuncia a arrogância de Vladimir Putin e os seus tiques
de Guerra fria, mas não caberá, talvez, mais aos Russos denunciar o
comportamento militar agressivo dos Americanos ? Manlio Dinucci
retoma o cerco da Rússia pela Otan.
REDE VOLTAIRE | ROMA (ITÁLIA) | 21 DE AGOSTO DE 2013

Desde que Putin ascendeu à presidência, a « retórica antiamericana
» aumentou por parte da Rússia, servindo-se de «
velhos estereótipos da Guerra fria » : foi o que declarou o
presidente Obama, após ter anulado o encontro previsto para Setembro.
A gota que fez transbordar o copo foi o asilo, concedido pela Rússia, a
Edward Snowden, culpado de ter posto às claras as provas que os
serviços secretos americanos espiam (espionam -Br) o mundo inteiro.
Mas, há sobretudo uma outra razão. Moscovo opõe-se ao « escudo antimíssil
», que permitiria aos EUA lançar um first strike (primeiro ataque)
nuclear sabendo, de antemão, que poderão neutralizar a resposta. Além
do que, Moscovo se opôs depois à ulterior expansão da Otan para leste,
e ao plano USA/Otan de destruição da Síria e do Irão, no quadro de uma
e ao plano USA/Otan de destruição da Síria e do Irão, no quadro de uma
estratégia que visa a região Ásia/Pacifico.
Tudo isto é percebido em Moscovo como uma tentativa de adquirir
uma nítida vantagem estratégica sobre a Rússia (e, além disso, sobre a
China). Nada mais portanto, que os « velhos estereótipos da Guerra fria »
não é verdade ?
Não parece, visto o programa anunciado pela Otan a 8 de Agosto. Ele
prevê « manobras militares mais ambiciosas e frequentes » sobretudo nas
regiões encostadas à Rússia. De 25 de Agosto a 5 de Setembro caçabombardeiros
da Otan (incluindo italianos e franceses), com dupla
capacidade convencional e nuclear, participarão na Noruega nas
manobras « Brilliant Arrow »(Flecha Brilhante, ndT) [1] do Comando aéreo
aliado, à cabeça do qual acaba de ser nomeado o general Frank Gorenc,
que chefia também as Forças aéreas dos EU na Europa. Depois em
Novembro terá lugar o exercício aéreo « Steadfast Jazz »(Música a sério,
ndT), que trará evolução de caçabombardeiros da Otan na Polónia,
Lituânia e Letónia, junto à fronteira russa. Em Setembro-Outubro navios
de guerra da Otan participarão na grande manobra « Brilliant Mariner »
(Brilhante Marinheiro, ndT) no mar do Norte e no mar Báltico. Está
também previsto o envio de outros navios de guerra da Otan para o mar
Negro, onde se tinha desenrolado em Julho as manobras « Sea Breeze
2013 » (Brisa Marinha, ndT), na qual participaram as marinhas de dez
países [2], (Itália incluída) (a França esteve presente a título de
observadora com o Catar, os Emiratos árabes unidos, e a Líbia), ás ordens
do Comandante das Forças navais dos EU na Europa, que comanda
simultaneamente a Força conjunta aliada em Nápoles.
Os EUA e os seus aliados, membros da Otan, estão pois em vias de
aumentar a pressão militar sobre a Rússia, a qual, evidentemente, não se
fica por aquilo que Obama chama de « retórica anti-americana ». Após os
EUA terem decidido instalar um « escudo » de misseis até na ilha de
Guam, no Pacífico ocidental, o Comando das forças estratégicas russas
anunciou estar a caminho de construir um novo míssil de 100 toneladas,
« com capacidade para ultrapassar qualquer sistema de defesa antimíssil ».
Daqui até ao fim do corrente ano, o Comando efectuará 16 lançamentos
experimentais de misseis balísticos intercontinentais de diversos tipos. E
o primeiro submarino nuclear da nova classe Borey está já no activo :
com o comprimento de 170 metros, capaz de descer a 450 metros de
profundidade, armado de misseis Bulava com um raio de acção de
9 000 kms e 10 ogivas nucleares múltiplas independentes, podendo
manobrar para evitar os misseis de intercepção. O novo submarino faz
parte dos oito que a marinha russa receberá daqui até 2020, (para
substituir os precedentes), com 16 submarinos multi-tarefa e 54 unidades
de superfície.
Nisto, e não sómente, os médias europeus, em particular os médias
italianos campeões de desinformação (em competição cerrada com os
Franceses, aliás), praticamente nem piam. Assim, a grande maioria do
publico tem a impressão que a guerra só ameaça as regiões « turbulentas
», como o Próximo-Oriente e o Norte África, sem se aperceber que a «
pacífica » Europa está em vias, de novo, de se tornar, a reboque dos
Estados-Unidos, na primeira linha de uma confrontação militar não
menos perigosa que a da passada Guerra fria.
Manlio Dinucci

http://www.voltairenet.org/article179887.html

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