Coração

Coração
por Francisco Varatojo

O Coração e o Intestino Delgado (assim como as funções denominadas Governador do Coração e Triplo Aquecedor) pertencem, em medicina oriental, à categoria energética denominada de Fogo.
Fogo representa um arquétipo energético quente, dinâmico, expansivo, “plásmico”, e em especial o Coração possui estes mesmos atributos. No artigo sobre o fígado referi que este era o General; o Coração é considerado o Monarca pela capacidade que tem de reger todo o organismo e pelo seu funcionamento e comportamento serem indispensáveis pelo bem estar geral.
Para os Orientais, quando o Coração (e o Intestino Delgado funcionam bem) somos alegremente calmos, temos sentido de ritmo, empatia e sabemos demonstrar emoções calorosas e amor. Basicamente, somos possuídos de um fogo interno que nos torna calorosos e empáticos, sem no entanto sermos exagerados ou demasiado superficiais (na realidade, sintomas de problemas em Fogo, como escreverei no próximo artigo).
Interessantemente, nos países ocidentais (Portugal incluído), a principal de morte são as doenças cardiovasculares que estão intimamente ligadas ao estilo de vida e aos hábitos alimentares. Um número enorme de estudos é conclusivo quanto à influência da alimentação nas doenças cardíacas e as principais associações mundiais para a prevenção de problemas cardiovasculares têm recomendações alimentares precisas para estes problemas.
No entanto, muitas destas recomendações apesar de serem melhores do que a alimentação vulgar dos cidadãos, não são ainda assim as mais acertadas, porque são filtradas por grupos de pressão políticos que visam proteger a indústria alimentar moderna. Walter Willet, um dos mais conceituados nutricionistas mundiais, professor em Harvard e autor dum livro recentemente publicado “Eat, Drink and be Healthy”, escreve que as prescrições alimentares modernas como a pirâmide alimentar aprovada pelo Ministério de Agricultura americano em 1992, protegem mais a indústria alimentar do que propriamente a saúde pública, nomeadamente a saúde cardíaca.
Em estudos como o Framingham Heart Study (o maior estudo sobre doenças cardiovasculares até hoje realizado), chega-se à conclusão que a melhor regime alimentar é aquele que é baseado em cereais integrais, vegetais, feijões, etc., um tipo de alimentação muito semelhante àquilo que se chama a alimentação macrobiótica.
Num estudo inovador realizado recentemente nos Estados Unidos e denominado DASH (sigla de Dietary Approaches to Stop Hypertension – Abordagens Alimentares para Erradicar a Hipertensão, em português) descobriu-se que pessoas hipertensas que seguem as recomendações alimentares da Associação Americana para a Hipertensão não têm melhoras significativas, aquelas que seguem um regime vegetariano melhoram um pouco, e aquelas que seguem um regime macrobiótico melhoram imenso.
Voltando à medicina oriental e ao coração, os alimentos que mais contribuem para os problemas em Fogo, são aqueles que criam (simbolicamente) mais fogo, uma energia mais quente, expansiva e caótica: Produtos animais com gordura saturada (leia-se carne e lacticínios), álcool, comida excessivamente picante; cafeína e nicotina pela influência directa que têm sobre o sistema nervoso acentuam mais ainda estes distúrbios.
Um estilo de vida demasiado frenético e desregrado está intimamente ligado a problemas em Fogo, pelo que uma parte essencial da terapia consiste também em aprender a acalmar e a ter um estilo de vida menos extremo.
Especificamente, existem determinados alimentos e preparações culinárias que podem beneficiar o funcionamento do Coração e do Intestino delgado:
Cereais – o cereal que nutre a energia Fogo é o milho (pode ser usado sob a forma de maçarocas, pilado como na cachupa cabo-verdiana, em papas, sob a forma de Polenta).
A cevada, pela capacidade que tem de ajudar a eliminar gordura animal do organismo é também um alimento recomendável.
Vegetais – os vegetais de folha verde, como por exemplo a couve portuguesa ou a couve chinesa ou a rama de cenoura, entre outros são particularmente benéficos.
Algas – as algas marinhas têm efeitos benéficos notórios sobre o coração em especial a alga Wakame (excelente para a hipertensão) e a Nori (usada na confecção dos famosos Sushis).
Condimentos – os condimentos levemente amargos como as sementes de sésamo tostadas ou raspa de limão, tangerina ou laranja devem ser utilizados regularmente.
Óleos – se tem problemas cardíacos, certifique-se que utiliza óleos vegetais de primeira pressão com extracção a frio – azeite, óleo de sésamo, óleo de girassol são boas escolhas; evite óleo de milho comercial que tem uma enorme quantidade de ácidos gordos Omega 6 criando um desequilíbrio acentuado entre os ácidos gordos Omega 3 e Omega 6.
Não use margarinas (mesmo quando estas são anunciadas como saudáveis e ricas em poliinsaturados), uma das principais causa dos problemas de saúde modernos.
Produtos animais – lembra-se de lhe dizerem para não comer sardinhas ou outro peixe gordo porque afectava o coração? E de agora ouvir dizer que as sardinhas são óptimas para o coração? Pois bem, parece que realmente os peixes gordos podem beneficiar o sistema cardiovascular devido aos tipos específicos de gordura poliinsaturada que contêm, em especial os chamados Omega 3, que aprecem contribuir para um bom batimento cardíaco e para tornar o sangue mais fluido.
No que toca a produtos animais, acima de tudo evite o uso de carne e lacticínios, alimentos com uma quantidade enorme de gordura saturada, aquela que entope as veias e as artérias.
Bebidas – o chá verde é benéfico para baixar níveis de colesterol elevados (não deve no entanto ser bebido todos os dias); qualquer chá tradicional não aromático é também uma boa escolha no que toca a bebidas. Pequena quantidade de vinho de boa qualidade quando comer peixe pode nalguns casos ser aconselhável.
Estilos culinários – tal como com o fígado, para problemas na Energia Fogo é aconselhável utilizar métodos culinários mais ligeiros como cozinhar no vapor, ferver, escaldar.
E para terminar, uma das palavras chave para tratar problemas cardiovasculares é simplicidade: simplifique a alimentação, o estilo de vida, o ritmo diário, vá para a cama a horas regulares, exercite-se de uma forma simples.
No próximo artigo escreverei sobre o efeito do Coração e do Intestino Delgado nas emoções e comportamento.
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No meu último artigo sobre alimentação escrevi sobre a influência dos alimentos e estilo de vida no Coração e Intestino Delgado – órgãos classificados na Medicina Oriental como pertencendo à categoria do Fogo.
Neste artigo escreverei sobre a influência do Coração no nosso comportamento, emoções e linguagem corporal.
É interessante notar que o coração é o único órgão do corpo que é igual e vastissimamente mencionado quer por cientistas quer por poetas ou romancistas. Para os cientistas e na realidade para todos nós, o coração é o órgão principal, aquele que trabalhando incessantemente bombeia os nossos 5 litros de sangue a todas as partes do corpo e nos mantém vivos.
Para os poetas e artistas o coração é o local onde reside o amor, a parte do nosso corpo que rejubila quando nos sentimos amados ou que sentimos acabrunhado quando sofremos um qualquer desgosto. Em toda a parte do mundo, com muito poucas excepções (existem algumas tribos que dão ao fígado o papel que nós damos ao coração), o coração está ligado a sensações de amor, alegria, paixão e é o órgão através do qual comunicamos sensações calorosas e apaixonadas.
Dum ponto de vista físico, e esta é a forma como a ciência essencialmente lida com este órgão, o coração é um músculo com funções específicas, e não tem nada a ver com sensações de amor ou paixão. Pessoalmente, penso que existe uma relação entre as nossas funções orgânicas e a nossa vivência emocional e, no caso concreto do coração, o quanto e como amamos tem uma influência directa neste órgão. Na realidade a saúde cardíaca beneficiaria imenso, se soubéssemos lidar melhor com e aprender a pôr de lado emoções como ódio, azedume ou inveja. E, se cultivássemos conscientemente emoções como o amor ou a compaixão universais.
Imagine que da próxima vez que vai ao seu cardiologista ele lhe dizem: “Olhe, tem que amar mais, livre-se dessas emoções que lhe corroem a alma e o coração ou a sua vida pode estar em perigo!”. Apesar de este ser um cenário algo difícil de imaginar, à medida que alguns ramos da ciência se apercebem da maravilhosa interligação existente no nosso organismo, é possível que num futuro próximo este discurso não seja tão descabido assim.
Em medicina oriental, os atributos positivos do coração são também empatia, calma e uma mente pacífica. Se os órgãos Fogo funcionarem bem, temos a capacidade de vibrar no mesmo diapasão das outras pessoas, somos capazes de nos colocar na pele dos outros, uma capacidade muito prezada na psicoterapia moderna e à qual se dá o nome de empatia.
Quando, pelo contrário, começam a surgir distúrbios nestes órgãos o comportamento tende a ser mais superficial, errático e hiperactivo, conduzindo num extremo a condutas maníacas e excessivamente apaixonadas.
Nos distúrbios em Fogo a linguagem corporal (e verbal) fica muito mais exagerada, em particular com um movimento acentuado dos membros superiores e das mãos, que ao mexerem constantemente chamam a atenção dos interlocutores mas os mantêm à distância.
A voz é mais alta, aguda e rápida e existe uma tendência para estar sempre a falar ou a dizer piadas, mesmo quando este comportamento não é apropriado à situação específica em que as pessoas se encontram.
A cor da pele tende a ser mais avermelhada (a cor vermelha mostra problemas cardíacos), particularmente a ponta do nariz que costuma também ser mais inchada.
O corpo tem mais expressão na zona peitoral e a postura tende a ser menos centrada e mais extravagante, regra geral com uma forma de vestir e uma imagem mais excêntrica ou mais original.
Existe a tendência para conseguir funcionar melhor quando em presença de “público” e é-se estimulado a actuar essencialmente por pressão externa e não tanto por resolução interna.
O paradoxo existente nesta fase mais dramática de energia, é que as pessoas com desequilíbrios em Fogo são extremamente animadas quando em presença de uma assistência e, quando sós, tendem a afundar-se em sentimentos de depressão e autocomiseração.
Os meridianos de acupunctura do Coração e Intestino delgado circulam nos braços e dedo mínimo da mão, e com problemas cardíacos há frequentemente uma certa sensação de fraqueza nos braços e adormecimento do dedo mínimo.
Os traços de comportamento referidos neste artigo são, regra geral e de acordo com a medicina oriental, o preâmbulo de problemas cardiovasculares mais ou menos sérios, e frequentemente pessoas com problemas cardíacos aparentam (segundo os nossos padrões de saúde) um ar jocoso, robusto e saudável.
Fisiologicamente, o tipo de comportamento e linguagem corporal descritas podem ter a ver com o ritmo cardíaco propriamente dito, que quando estável nos dá um comportamento mais ritmado e calmo e que quando instável nos faz comportar de forma mais errática e imprevisível.
Como conclusão, se deseja ter um bom coração aprenda a amar sem reservas e cultive uma mente calma e serena. Mesmo que não acredite que estas capacidades tenham alguma coisa a ver com a saúde cardíaca, estas recomendações não o vão com certeza afectar e provavelmente melhorará bastante a relação que tem consigo mesmo e com os outros.

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