Bebidas

Por Francisco Varatojo

Fonte: Instituto Macrobiótico Português

 

Está a chegar o tempo quente e com ele o aumento no consumo de bebidas de toda a espécie: refrigerantes, sumos naturais, cerveja, água, são os preferidos da maioria dos europeus; no entanto, tal como com os alimentos devemos seguir determinados critérios quando elegemos as nossas bebidas preferidas, ou arriscamo-nos a arranjar problemas digestivos, ou outros mais sérios se ingerirmos grandes quantidades de bebidas alcoólicas ou refrigerantes.

Seguramente que já ouviu inúmeras vezes que é necessário beber pelo menos um litro de água por dia ou mais, para que os rins possam funcionar bem; bem, na minha opinião esta recomendação é controversa e discutível: em primeiro lugar as necessidades diárias de água variam imenso de indivíduo para indivíduo, dependendo de factores como o clima, grau de actividade física, peso corporal, tipo de alimentação, entre outros.

Se fizer muito calor é óbvio que necessitamos de beber mais assim como se nos exercitarmos arduamente, uma vez que perdemos muito mais líquido através da transpiração (nestas situações precisamos também de mais sal, dado que com o suor eliminamos sais minerais essenciais); o estilo alimentar que seguimos determina também, na minha opinião, a quantidade de líquido necessária: com uma alimentação baseada em produtos animais e doces (alimentação portuguesa vulgar) temos que beber muito mais porque os produtos animais têm um teor de líquido mínimo, ao criarem uma condição de sangue mais ácida (menos alcalina) produzem muito mais sede e também ao beber muito “lavamos” muitas das toxinas e purinas existentes nos alimentos de origem animal.

No entanto, se optarmos por uma alimentação predominantemente de origem vegetal (não significa que só comemos produtos de origem vegetal, tão só ingerimos mais alimentos vegetais do que animais) a situação é completamente diferente: os cereais, vegetais e frutos contêm uma enorme quantidade de água ou são cozinhados com muita água reduzindo substancialmente a quantidade líquidos necessária; assim, quando comemos sopa de legumes ou arroz cozido ou salada, ou puré de maçã (ou uma infinidade de outras preparações) estamos na realidade a ingerir uma quantidade de líquido aceitável, pelo que não é imprescindível beber muito; também, com uma alimentação deste tipo ingerimos muito menos toxinas e purinas e consequentemente não é necessário “lavar” o corpo destes detritos.

Assim, sugiro-lhe o uso de bom senso no consumo de bebidas e deixo-lhe algumas recomendações que penso o (a) podem ajudar a passar um Verão mais saudável e menos aguado.

  1. Beba confortavelmente quando tiver sede; o excesso de líquidos faz com que os rins, uns filtros extraordinariamente delicados; tenham que trabalhar de mais e sobrecarrega também o sistema circulatório. Algumas pessoas necessitam de beber mais, outras menos, descubra o seu ponto de equilíbrio, experimentando – afinal, o que conta é o resultado que temos e não o que os outros nos sugerem.
  2. Se possível, não beba enquanto come, uma vez que os líquidos durante a refeição diluem os sucos digestivos, podendo abrandar ou dificultar a digestão.
  3. Se tiver problemas de bexiga (ou simplesmente uma bexiga mais sensível) não beba antes de dormir e vai ver que é muito mais fácil de acordar na manhã seguinte, para além de, muito provavelmente não ter que se levantar durante a noite para urinar.
  4. Beba devagar, aprenda a mastigar os líquidos; se possível siga a máxima de Ghandi: “beber os sólidos e comer os líquidos”
  5. Evite bebidas geladas, dê preferência às bebidas à temperatura ambiente.
  6. Escolha como bebidas preferenciais água e chás naturais não aromáticos; se gostar de bebidas alcoólicas, não abuse e prefira a cerveja, o vinho tinto, ou o whisky de malte (não é uma gralha nem estou a gozar consigo); sumos de vegetais ou de frutos não tropicais são também uma boa opção, particularmente em dias muito quentes.
  7. Evite ou abdique totalmente do consumo de refrigerantes (que são essencialmente água, açúcar e muitos produtos químicos) e leia bem os rótulos sempre que comprar um sumo “natural” (muitas vezes os sumos “naturais” contêm uma quantidade apreciável de açúcar e preservantes.
  8. Reduza o consumo de café (que faz uma sede enorme) ou melhor ainda deixe de o beber se tiver problemas de saúde ou se for muito ansioso ou nervoso; o “descafeinado” não é necessariamente melhor uma vez que a cafeína é extraída com solventes químicos.

Dirija-se a uma loja de produtos naturais ou a uma ervanária e fique a conhecer a enorme variedade de chás naturais e cafés de cereais existentes no mercado português.

No meu último artigo escrevi sobre bebidas de Verão e sobre os cuidados a ter com os líquidos que ingerimos.

Esta semana descreverei alguns dos chás (e outras bebidas) mais utilizados na prática macrobiótica e vegetariana, particularmente aqueles que são menos conhecidos da população em geral. A maioria destes chás pode ser adquirido em casas de produtos naturais ou ervanárias e alguns deles mesmo em supermercados.

Chá Três Anos ou Kukicha

É de longe o chá mais utilizado pelos macrobióticos de todo o Mundo; o nome “Três Anos” advém do facto de neste chá se utilizarem as folhas mais velhas (com 3 anos) da planta do chá; é a bebida mais barata no Oriente mas é simultaneamente a mais saudável.

O Kukicha foi divulgado no Ocidente pelo filósofo George Ohsawa e é um óptimo chá para uso diário; uma vez que praticamente não contem cafeína pode ser utilizado quer por adultos quer por crianças. O Chá Três Anos tem um efeito alcalinizante e consequentemente fortalece-nos e refresca-nos quando cansados. No caso de insónias tem um efeito sedativo; pode aliviar as náuseas e a gastrite.

É uma excelente bebida diária para pessoas com nefrite (infecção renal), infecções da bexiga, neurastenia, doenças cardiovasculares, indigestão e fadiga geral.

Preparação: utilize uma colher de sopa para um litro de água (se o sabor for muito forte para si, pode utilizar menos chá) e após levantar fervura deixe borbulhar durante cerca de 10 minutos. Pode voltar a utilizar as folhas se desejar.

Chá Verde ou Ryoku-Cha

Muito na moda ultimamente, o Chá Verde é originário da mesma planta do chá mas neste caso utilizam-se as folhas mais jovens apanhadas na Primavera. Contém alguma cafeína pelo que não deve, regra geral, ser utilizado todos os dias e não é aconselhável ser regularmente bebido por crianças.

O Chá Verde ajuda a dissolver e eliminar gordura animal do corpo e é bastante eficaz a baixar os níveis de colesterol.

Preparação: não deve ser fervido; coloque ½ colher de chá do chá numa cafeteira de cerâmica, verta uma chávena de água a ferver por cima e deixe repousar durante 3-5 minutos. Coe e beba.

Chá Mú

A palavra Mú tem diferentes significados possíveis – “infinito” ou “vácuo” ou “único” – este chá é uma combinação de 16 ervas e plantas (peónia, ginseng, canela, gengibre, sementes de alperce entre outras); tem um sabor peculiar (que eu pessoalmente adoro) mas em geral não se utiliza todos os dias durante muito tempo.

O chá Mú tem propriedades medicinais aceitáveis, nomeadamente:
Alivia o cansaço, ajuda a perder peso, melhora o funcionamento do estômago, é eficaz nalguns tipos de tosse e é uma bebida específica para praticamente qualquer tipo de problema dos órgãos reprodutores femininos.

Preparação: Ferva o conteúdo de uma saqueta de chá em 3 chávenas de água durante 10 minutos.

Se desejar uma extraordinária bebida refrescante e revigorante para os dias quentes de Verão (e também para o Inverno) adicione ao chá Mú (já preparado e frio) a mesma quantidade de sumo de maçã natural.

Café de Cereais

Existem no mercado português diferentes marcas de café de cereais, mas os melhores são os que não contêm figos secos na sua preparação. O meu favorito (pelo seu sabor e aroma) é o café Yannoh (não é uma marca mas um tipo de café de cereais que existe em diversas marcas comerciais).

O café de cereais é produzido a partir de cereais (e nalguns casos leguminosas e vegetais) torrados; o café de cevada tão típico no Norte de Portugal é também um café de cereais, neste caso produzido exclusivamente a partir da cevada.

Os cafés de cereais são tonificantes e revitalizantes e têm também um efeito benéfico no caso de obstipação, dores de cabeça crónicas, dispepsia (digestões difíceis). São excelentes para qualquer pessoa que necessite de fazer grandes esforços intelectuais.

Preparação: Uma vez que existem diferentes tipos de cafés comercializados, siga as instruções indicadas no rótulo.

Chás de Cereais Tostados

Pode obter chás de cereais, simplesmente tostando os cereais integrais numa frigideira, fervendo-os depois em água; os mais utilizados e saborosos são o chá de cevada, de arroz e de trigo.

Qualquer um deles tem um efeito refrescante, mas especificamente o chá de cevada é bom para eliminar gordura animal do corpo, o chá de arroz para problemas intestinais e dores de cabeça e o chá de trigo para tonificar o fígado e para ajudar a lidar com o calor excessivo do Verão.

Preparação: Toste os cereais numa frigideira pesada durante 5-10 minutos, mexendo constantemente. Adicione 10 porções de água para 1 porção de cereal tostado, deixe levantar fervura e macere durante 15 minutos. Coe e beba quente ou frio.

Outros Chás

A maioria dos chá tradicionais portugueses são também excelentes bebidas para uso diário e incluem – chá Dente de Leão, chá Hipericão, chá de Artemísia, Camomila, Tília, Cavalinha, Pés de Cereja, entre muitos outros.

No dia a dia é preferível utilizar chás pouco aromáticos e dar ênfase aos que possuem um sabor mais neutro.

Dada a enorme variedade de plantas (e não só) a partir das quais podemos preparar bebidas específicas ou para uso regular, parece-me ser uma boa ideia voltar a escrever sobre este tema num artigo futuro.

No próximo artigo escreverei sobre temperos e condimentos específicos, o seu uso e propriedades.

 

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